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Arquivo Mensal - Fevereiro/2008

04/02/08 - Segunda-feira

O que leva Lúcia a apoiar Barbosa

A senadora Lúcia Vânia (PSDB) disse no aniversário de Barbosa Neto (PSB) que é madrinha dele. Na verdade, foi uma forma sutil de definir seu apoio a ele na disputa pela Prefeitura de Goiânia.

A questão é que Lúcia, independente da política, tem razões familiares e particulares para fechar com Barbosa.

A mãe de Barbosa, dona Mirna, ajudou muito a senadora no início de sua vida pública. E a sua irmã Leda Abrão é, de fato, madrinha de batismo do presidente do Agetur.

Porém há mais razões motivando Lúcia Vânia. É só lembrar que, há poucas semanas, ela não escondia o descontentamento a própria pré-candidata tucana, Raquel Teixeira, e com o presidente da legenda, Leonardo Vilela, que, vejam só, acompanhou Raquel na ida á festa de Barbosa.

Postado por Vassil Oliveira às 13:02 de 04/02/08.
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01/02/08 - Sexta-feira

Tiãozinho, pense ão!

O deputado estadual Tiãozinho Costa, do PTdoB, apresenta-se como pré-candidato a prefeito de Goiânia.

Acompanhei nos últimos dias duas entrevistas dele, uma ao Programa Paulo Beringhs e outra hoje de manhã ao Cá Entre Nós, da Rádio 730, esta última conduzida pelo repórter Marcos Cipriano. Na primeira, até participei com perguntas.

Tiãozinho é um vencedor. Ninguém na base aliada acreditava na candidatura dele a deputado. E ele venceu. Mérito principalmente dele, portanto, que gosta e se dedica em tempo integral à política.

Tudo isso faz dele um personagem admirável. O problema é que não dá pra levar a sério a candidatura dele a prefeito. Ele simplesmente não tem discurso e não tem base de sustentação política. Sem falar que o histórico do PTdoB não é o de um partido independente. Pelo contrário.

Do jeito que vai, cada vez que Tiãozinho insistir em sua candidatua mais perto do ridículo ficará do que da credibilidade de que vai, junto com Deivison Costa (presidente da Câmara de Goiânia), peitar Alcides Rodrigues (PP) e Marconi Perillo (PSDB).

Tiãozinho merece mais que isso.

Postado por Vassil Oliveira às 13:47 de 01/02/08.
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03/02/08 - Domingo

A base aliada se mata nas entrelinhas

Enfim, o secretário Roberto Balestra (PP), da articulação política do governo estadual, se mexeu. Convicto de que nunca houve tanta paz na base aliada, e que todo o cheiro de guerra propalado a respeito dos ânimos na base aliada era coisa da imprensa, essa coisa resultando certamente da mistura de hiena com gambá, Balestra reagiu com pedra na mão a um cutucão cirúrgico do deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB).
Disse Leréia (coluna Giro, de O Popular, no dia 30): "A nossa base, principalmente no interior, está mais perdida do que cego em tiroteio por falta de definição do governo, de um rumo para o Estado. O maior problema nem é perder as eleições, mas perder o discurso político."

No dia seguinte, na mesma coluna, Balestra contra-atacou: "O governo Alcides goza de credibilidade porque só fala a verdade para o povo, só autoriza obras necessárias e que tenham recursos em caixa para serem tocadas e concluídas. Faz tudo de forma transparente e com muita responsabilidade, a marca desta gestão. A população fica sabendo tudo, de forma antecipada, sobre o que acontece no Estado."

Pronto. Daí entende-se o que quiser. Teria Balestra respondido com recado ao ex-governador e agora senador Marconi Perillo (PSDB)? Porque, quando o atual governo imprimiu o slogan "Desenvolvimento com Responsabilidade", todo mundo, inclusive nós da famigerada imprensa, na concepção de alguns governistas, entendemos que se tratava de uma provocação aos tucanos, que não teriam administrado "com responsabilidade." Afinal, o novo governo não mostrava espanto com a herança maldita que recebeu? Ah, e "herança maldita" na definição dos alcidistas, tá? Bem entendido, né? Então, continuemos.

Mas disse mais, Balestra: "Com todo o respeito ao colega tucano, está equivocada sua posição sobre a gestão do governador Alcides. Este governo não é de forçar alianças ou candidaturas, respeita todos os partidos da base aliada. Trabalhamos para chegar a um consenso (sobre candidaturas a prefeito) nos municípios, com o objetivo de manter a unidade da base tanto quanto for possível. Temos até junho para dialogar e chegar à definição política em cada cidade."

Peraí: o governo Marconi não é acusado de atropelar aliados, como no caso do DEM (ex-PFL) de Ronaldo Caiado? Isso significa que Balestra mandou mais um recado? Outra coisa: falar em "chegar a um consenso" não é, sutilmente, lembrar que Marconi preferiu, em vez de consenso, estimular disputas entre candidatos da própria base aliada, na eleição passada para prefeito, no que acabou mais desagradando que agradando? (Lembram das fotos tiradas por ele com deus e todo mundo?

O que mais chama a atenção na resposta de Balestra, no entanto, é o final de sua declaração ao jornal: "Repito: trabalhamos para definir o quanto antes, mas não vamos forçar nem atropelar nossos parceiros"; e "Só que há limite para tudo e não poderia deixar de dar uma resposta ao deputado." Curiosamente, um dia antes, uma nota em outra coluna, Fio Direto, do Diário da Manhã, informava: "Nos bastidores, a ação conciliadora de Marconi Perillo junto aos seus xiitas é de fazer inveja às cassandras palacianas." Sim, Marconi se esforçava em deixar claro que segurava os seus contra as "cassandras palacianas". Sim, sim, as "cassandras" são palacianas.

Mais curiosamente, dois dias antes, em declaração exclusiva ao mesmo Fio Direto, Marconi mostrava uma nova face: além de bombeiro, justamente o que Balestra informava, no Giro, que tentou ser o tempo todo, até o limite, quebrado com a declaração de Leréia, estava altivamente em clima de paz e amor com todos que sempre foram fiéis.

Fiéis a quem? Naturalmente, fiéis a ele. Palavras de Marconi ao Fio: "Estarei sempre ao lado daqueles que foram fiéis ao nosso projeto e não serei desleal com nenhum companheiro." Só para constar: quem falou em deslealdade?; e como fica o governador, que faz um governo que desmonta o seu?

Em meio a isso, vem o governador Alcides Rodrigues (PP) e diz, textualmente: "Ninguém ganha eleição sozinho. Todos os líderes e presidentes de partidos da base terão de se responsabilizar também pelas escolhas nas eleições municipais."

Recado para Marconi e os marconistas, que ultimamente vêm transferindo para ele a responsabilidade de escolher o candidato aliado em Goiânia, e isso depois de o PSDB abençoar o lançamento da candidatura de Raquel Teixeira contra Barbosa Neto (PSB) e Sandes Júnior (PP)? "Na data oportuna, as candidaturas vão sair", emendou o governador. E mais não disse. Por enquanto.

Sem meias palavras: a base governista vive nas entrelinhas, e aí, ato contínuo, se mata, aos poucos. Nas palavras ditas indiretamente, no não-dito, no insinuado, no desmentido, no disse-que-disse dos bastidores, na fofoca que gera e repercute, e que, de tão intensa, em verdade, só uns 2% vêm a público nos jornais, rádios e TVs. Sim, pouco. As cassandras e os xiitas marconistas são mais rápidos que o melhor e o pior dos jornalistas. Criam fatos e os destroem com uma rapidez de fazer inveja às águias, águias transgênicas que são.

Daí que dizer que essa base já era, que o clima é de cada um por si, e que todos mandam recados a todos sem coragem de dizer as coisas às claras, não é nenhum exercício de provocação. É interpretação do jogo em curso, para não falar interpretação da prática da mesquinharia política. É constatação. Exercício da profissão.
Ou será que acreditam que acreditamos no que dizem sem que levemos em conta o que fazem sem admitir que fazem?

Convenhamos!

 

PS.: Viram a réplica de Leréia no Giro de sexta-feira? São três notas: 1) Me engana... - Do deputado Carlos Leréia (PSDB): "Com todo respeito ao colega Roberto Balestra (PP), ele nem sabia do teor da reforma administrativa. Como, então, o povo sabe antecipadamente o que ocorre no Estado?" 2) É que... - Balestra, ao responder aqui ontem críticas do tucano Leréia, afirmou que o governo Alcides só fala a verdade e o povo sabe antecipadamente o que acontece no Estado. 3) Sem resposta - Leréia afirma que os deputados são questionados nas suas bases eleitorais sobre os rumos do governo. "Não sabemos responder", enfatiza.

 

(Publicado na Tribuna do Planalto de domingo, 3.)

Postado por Vassil Oliveira às 03:09 de 03/02/08.
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03/02/08 - Domingo

A falta que o showmício faz

Os showmícios, proibidos na última minirreforma eleitoral, foram substituídos pelas carreatas como instrumento de massa das campanhas (ou seria de campanhas em massa?), na eleição passada. E os comícios, que deveriam redimir a voz dos candidatos, ofuscada durante anos pela voz dos cantores, não chegaram a ser um fracasso completo, mas chegaram perto.

Resultado: faltou o calor do povo na eleição de 2006 e sobraram acenos de mão de candidatos que olhavam para o eleitor do alto das carrocerias das caminhonetes lotadas de assessores e apoiadores providenciais, todos correndo contra o tempo, tudo revelando uma estranha inversão de ótica estratégica, em que o candidato não mais armava o circo para ser visto, tinha de correr pelo picadeiro para chamar a atenção. Quer dizer: o circo era o povo.

Uma candidata a deputada reeleita em Goiás estava desolada ao final da disputa. "Era para eu ter muito mais voto", reclamou, suspirando. Era a própria viúva, uma delas, da falta dos shows com cantores e artistas, que facilitavam a vida daqueles que buscavam dar um aceno ao distinto público eleitor do alto de um palco, e não de um palanque.

Não que a deputada fosse contra a decisão aprovada na minirreforma. Ela jurou ser a favor. O problema é que ela e muitos outros candidatos foram pegos de surpresa, e, sem poder contar com o tradicional expediente, sofreram com a própria falta de criatividade e a de seus marqueteiros para chegar ao fundo do coração do eleitor.

Os showmícios foram abolidos para baratear as campanhas e ajudar a acabar com o caixa 2, já que a maioria deles ou não era contabilizada, ou era mas com valores muito abaixo do real. Não consta, porém, que o objetivo tenha sito atingido como se esperava.

Entre coordenadores de campanha em Goiás, a avaliação no final da corrida eleitoral era de que houve apenas 'transferência de renda': o dinheiro que se gastava com os cantores foi parar nas mãos de vereadores, prefeitos e outros líderes de ocasião, que cobraram muito mais caro seu apoio. Ou seja: esse pessoal ganhou mais dinheiro, vendendo-se a peso de ouro. Claro, sempre há honrosas exceções, sempre, acreditemos.

Entre os candidatos ao governo, o que mais se utilizou das carreatas foi o governista Alcides Rodrigues (PP). Apesar de ter sido vice-governador durante mais de sete anos, e de ter assumido o governo em abril, Alcides era pouco conhecido da população.

Para contornar isso, ele percorreu, em poucos meses, todos os 246 municípios do Estado. Foi, aliás, a mesma estratégia adotada pelo senador Marconi Perillo quando disputou o governo pela primeira vez, ao lado do próprio Alcides. Na época, Marconi era tão ou até menos conhecido que Alcides da população goiana. Deu certo.

Em sentido inverso, foi justamente por ser, ao contrário do governador, bastante conhecido - ex-governador e senador, era líder disparado nas pesquisas -, que o candidato peemedebista, Maguito Vilela, evitou, no início, as carreatas. Preferiu dar mais atenção às visitas, reuniões e caminhadas. No final, porém, não houve jeito: teve de aderir ao cordão de carros. Inevitavelmente.

Demóstenes Torres (PFL) foi outro que, antes das carreatas, investiu nas reuniões e pequenos eventos. Por fim, teve de se render. Barbosa Neto (PSB) fez menos carreatas, mas fez. Ficaram fora da lista dos 'carreateiros' apenas Elias Vaz (PSOL) e Edward Júnior (PSDC), e mais por falta de estrutura do que por opção estratégica.

E qual é a mágica dos showmícios para atingir o coração do eleitor? Eles criam expectativa, vendem ilusão, emocionam. Eles predispõem as pessoas à mensagem de um candidato que, em essência, é a mesma desde que as eleições foram inventadas: Vote em mim!

Naturalmente, esta não é uma receita infalível, senão não haveria perdedor. Fato é, todavia, que os showmícios funcionavam. Foram fundamentais, por exemplo, na vitória de Maguito Vilela em 1994 e na reeleição de Marconi Perillo em 2002. E veja que eles jamais entraram na lista de fatores responsáveis por uma derrota, a não ser entre os itens que fizeram muita falta.

Mas cadê o povo?

Em Goiás, a campanha de 2006 para o governo só provocou algum alvoroço na última semana do primeiro turno. Nem no segundo turno ela emocionou a ponto da emoção, aquela de reta final, que faz o sangue ferver e o suor escorrer desregrado, transformar-se em elemento desestabilizador. E os contatos com o eleitor seguiram em igual medida: frios. Pior para os coordenadores, que se angustiavam na mesma proporção com que se aproximava o dia da votação. Culpa dos showmícios não era, mas eles tiveram lá seu peso em tudo que aconteceu - e no que não aconteceu.

No geral, foi uma campanha em que ninguém entendeu o povo. Em 'tempo real', ninguém conseguia saber exatamente o estava ocorrendo. E quanto mais o tempo passava, mais confuso tudo ficava. "Não sei o que vai acontecer. Tá muito esquisito. Nunca vi uma eleição assim", chegou a escapulir a um pequeno grupo de jornalistas o responsável por uma das principais campanhas de rua para o governo.

Onde estava o povo? Escondido? Mas escondido de quem? Há uma resposta fácil a esta pergunta: o povo estava em casa, admitindo apenas aos seus botões a ojeriza que sentia aos políticos depois de tantos escândalos vistos no País. Fácil porque não é uma resposta que pare de pé ante esta constatação: se tanta ojeriza havia, por que ela não se voltou contra aquele que teoricamente promoveu o mensalão, o maior de todos os escândalos mencionados durante meses: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva?

A dissimulação do povo, o silêncio do povo, a cautela do povo, a sabedoria popular, seja qual for a avaliação, talvez isso tudo, e mais que nunca saberemos, explique outro ponto curioso da eleição passada: os muitos erros das pesquisas. Foi um show à parte, mais que em outras vezes. Ou seja: o povo enganou mais os institutos. Deu mais trabalho - nos dois sentidos.

Assim como as pesquisas, showmícios não ganham nem perdem eleição. São elementos dentro de uma engenhosidade muito maior. É certo que fizeram falta a muitos candidatos, e decerto fizeram também a tantos eleitores mais interessados no espetáculo de uma eleição do que nas suas conseqüências. Mas a ausência deles não mudou o curso da história. Assim como a existência deles não era garantia de nada. Quando muito, torceu a prática eleitoral para outro lado. O caixa 2? Tavai aí, ficou aí. O resto é ilusão. 

 

(Este texto estará também Tribuna do Planalto de amanhã, dia 3)

Postado por Vassil Oliveira às 13:14 de 03/02/08.
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05/02/08 - Terça-feira

Três pontos

Pragmatismo

O vice-prefeito Valdivino de Oliveira (PMDB) e a vereadora Marina Sant'Anna (PT) resistem à aliança entre seus partidos em Goiânia porque, se ela ocorrer, ficam fora da linha de frente. Dificilmente Valdivino será novamente vice, ou Marina será a indicada pelo seu partido.

No caso de Marina, será que ela resistiria à oferta da vice do prefeito Iris Rezende?

 

Foro íntimo

As estocadas do deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB) no governador Alcides Rodrigues foram, primeiro, colocadas na conta do senador tucano Marconi Perillo. Marconi, porém, fez questão de mandar avisar que nada tinha com isso.

 

Tem base?

A tucana Raquel Teixeira está em ação para ser candidata à Prefeitura de Goiânia desde o final do ano. Barbosa Neto (PSB), agora, também. E Sandes Júnior (PP)? Bem, o candidato do partido do governador colocou o bloco na rua e escafedeu-se. 

 

(Tribuna do Planalto desta semana)

Postado por Vassil Oliveira às 01:28 de 05/02/08.
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02/02/08 - Sábado

Ele não foi, mas...

Dia 31, na festa de aniversário do presidente da Agetur, Barbosa Neto (PSB), a foto mais badalada mostrava Barbosa, Raquel Teixeira (PSDB), governador Alcides Rodrigues (PP) e senadora tucana Lúcia Vânia juntos. Ausência sentida: a do senador Marconi Perillo.

Pois esta foto aí é também do aniversário de Barbosa, mas do de 2005. Quem estava lá? O então governador Marconi Perillo.

Boa lembrança do esperto Leo Iran.

Postado por Vassil Oliveira às 13:57 de 02/02/08.
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01/02/08 - Sexta-feira

Com base em quê?

Está na coluna da Suely Arantes, a Xeque Mate, de hoje:

 

Sala de espera

Os pré-candidatos Vilmar Rocha (DEM), Tiãozinho Costa (PT do B) e Gilvane Felipe (PPS) aguardam chamado do Palácio das Esmeraldas para a discussão sobre o afunilamento dos candidatos da base aliada à Prefeitura de Goiânia. 

 

O principal problema dos três é falta de base. Não de base aliada. Mas de base de sustentação para que acreditemos que levarão a candidatura até o fim.

Em todo caso, porque mesmo que o governador não os chamou ainda?

Postado por Vassil Oliveira às 16:06 de 01/02/08.
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07/02/08 - Quinta-feira

Tem caroço nesse angu de Balestra e Leréia

Em entrevista aoprograma Cá Entre Nós, da Rádio 730, hoje de manhã, o presidente do PSDB, deputado federal Leonardo Vilela, garantiu que o PSDB não comunga das críticas do deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB) ao governador Alcides Rodrigues (PP).

O senador tucano Marconi Perillo também nada teria a ver com a refrega.

"Essa é uma posição pessoal do deputado Carlos Alberto Leréia", disse Leonardo. Para o deputado, a posição de Leréia foi supervalorizada (detalhe: ele NÃO culpa a imprensa, e sim o meio político), já que, segundo ele, divergências, discussões, são naturais dentro de uma base aliada e, principalmente, em um sistema democrático.

Essa briga, como se sabe, vai longe. E hoje o Diário da Manhã dá destaque a ele em reportagem de quse uma página. Diz a reportagem, com título "Fogo amigo" incendeia governo:

  • Duros ataques de um lado e de outro fizeram do secretário extraordinário de Articulação Política, Roberto Balestra, e do deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB) destaques deste carnaval. Em reedição da eterna crise entre pepistas e tucanos, Balestra e Leréia levaram o bate-boca ao extremo. Não fosse a desistência do secretário, teria surgido até lavação de roupa suja em debate no rádio.
  • A briga começou no dia 30. Leréia reclamou em público da falta de definição do governo Alcides Rodrigues (PP), que, em março, completa dois anos, ainda preso à velha discussão sobre reforma administrativa e o déficit mensal de R$ 100 milhões. A resposta sutil, mas certeira, veio no dia seguinte. O Palácio mirou contra o governo do senador Marconi Perillo (PSDB, 1999-2006), a quem Leréia é ligado.
  • O secretário extraordinário Roberto Balestra afirma que o governador Alcides Rodrigues (PP) não interferiu no seu bate-boca com o deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB) porque a "discussão partiu de uma questão pessoal, sem relação com o governo".
  • Mais contundente que a maioria dos deputados petistas e peemedebistas do Estado, Carlos Alberto Leréia (PSDB) diz cumprir, com as críticas, papel que está vago e que não foi ocupado pela oposição. "Quem deveria ir a público fazer estes questionamentos é a oposição, mas, infelizmente, ela não existe em Goiás. Estou cobrando aquilo que a oposição não tem coragem de cobrar." O tucano diz que as críticas feitas por ele são construtivas. Leréia nega que os ataques tenham sido discutidos previamente com o senador Marconi Perillo (PSDB), constante alvo de críticas de alcidistas. "Falo por mim, não preciso de partido ou de qualquer pessoa para exigir aquilo que é um direito."
  • (Para ler toda a reportagem, clique AQUI.)

Então, a saber:

  1. por que Leréia, de repente, se volta contra o governo que, ele mesmo enfatiza, ajudou a eleger?
  2. Que que Balestra quis dizer com a frase "discussão partiu de uma questão pessoal, sem relação com o governo?

Postado por Vassil Oliveira às 08:04 de 07/02/08.
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07/02/08 - Quinta-feira

'Acabou a trégua", diz Nelto. Mas acabou mesmo?

O deputado estadual José Nelto diz hoje na coluna Fio Direto, do Diário da Manhã (AQUI), que "acabou a trégua dada ao governo" de Alcides Rodrigues.

Nelto afirma ainda que a partir de agora o seu partido vai rebater a crítica do chamado 'tempo novo' à venda de Cachoeira Dourada no governo Maguito Vilela com o argumento de que a "cessão" de 41% das ações da Celg ao BNDES caracteriza venda camuflada da estatal, ainda que para a União.

Ele anuncia, inclusive, que formulará denúncia sobre a questão na Assembléia Legislativa, onde responde pela liderança do PMDB.

Até aí, tudo bem. Nelto está fazendo o papel de oposição. Resta saber, porém, se ele fala mesmo em nome do PMDB, que por outras vias evita o confronto direto com o governo Alcides e prefere o ataque direto aos governos do hoje senador Marconi Perillo.

É o caso de se perguntar, em resumo:

José Nelto fala em nome do PMDB e teremos mesmo, a partir de agora, oposição do partido ao governo Alcides, ou Nelto fala apenas em nome dele e tudo ficará como está, com Alcides e o prefeito de Goiânia, o peemedebista Iris Rezende, em lua de mel política?

Postado por Vassil Oliveira às 13:20 de 07/02/08.
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08/02/08 - Sexta-feira

Em 1999, quase 1,5 milhão. E hoje?

Está no site do Eduardo Horácio, e merece atenção:

Em tempos de cartões corporativos correndo à vontade em órgãos federais (a começar do presidente Lula), é época de relembrar um outro caso parecido, hoje arquivado em alguma gaveta.

Foi em agosto de 1999. Naquele mês, descobriu-se que o então governo Marconi Perillo havia gastado, em poucos meses, quase 1,5 milhão de reais em comidas, jóias, presentes, cerveja, vinho, flores, gelo, entre outros badulaques.

Tudo, claro, era dinheiro retirado dos cofres do Estado de Goiás. Havia até uma denominação para esta verba: "Despesa de caráter secreto e reservado". Foi dinheiro público usado em benefício particular, tal como acontece agora com os cartões corporativos de vários escalões do governo federal.

Entre agosto e outubro de 1999, por exemplo, gastou-se quase 6 mil reais em vinhos no Palácio das Esmeraldas. O então porta-voz do governador, Marcos Villas-Boas, justificou o gasto com tanto vinho, em entrevista ao vivo à então Rádio K (hoje Rádio 730):

- Essas pessoas vieram aqui, não vieram só passear não, nós estamos doidos para poder oferecer um vinho a elas, pra que elas fiquem num ponto tal que possam prometer ao Estado de Goiás aquilo que nós precisamos.

Para ler mais, clique AQUI.

Postado por Vassil Oliveira às 08:16 de 08/02/08.
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10/02/08 - Domingo

Poesia pra quê? Ué, por que não?!

Poema racional

Um poeta
não vive em vão.
Basta um vôo
para não querer pousar.
E, se pousa,
já vem em despedida.
Perde a vida
se escapa a ilusão.
Todos os poetas
                         vãos... 


Diálogo com os pássaros

As palavras, como os pássaros,
ou pousam porque se cansam
ou voam porque se encantam.
Eu?
Eu ouço dizer. E falo por falar.
Ou vôo porque me pousam,
ou pouso porque me vão.
Eu!
 

Ser só coração

É tempo de vãos humanos,
de guardar os poemas elaborados
e dar voz à emoção.
Seria triste não ter um poema
se no peito passa coração.
Da vida tenho o que me basta:
solidão e um ponto de partida.
O que me falta
é paz
ciência
e uma rima pra viver.
Em todos os sentidos,
sou o que não sou,
louco buscando enlouque
                                     ser. 

 

Dizem por aí

Dizem que sou isto.
Não sou.
Querem que seja outro ainda.
Impossível.
Levantam hipóteses.
Como ser se já sou
o que sou como de fato infinito sou
(até mesmo o que se diz)?
Pra quem olha pra saber,
sou o que não condiz.
Isto, ninguém vê!

 

Poema bélico

Assumo que não sei quem sou
(qual a novidade?),
o que quero
(qual?)
e muito menos o que posso.
Assumo que estou perdido,
triste,
desassossegado.
Assumo para respirar.
Até agora tive de ser o que não sou,
dar o que não tenho,
rir com os dentes que não tinha ao nascer.
O que querem? A minha vida?
Levem-na daqui,
mas arquem com as conseqüências!
Deixem-me em paz
com minha guerra interior.
Nesta, estou sozinho.
Sou meu único aliado.
E meu único inimigo.

 

(Publicado na Tribuna do Planalto de 10.02.2008 - AQUI)

Postado por Vassil Oliveira às 18:12 de 10/02/08.
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10/02/08 - Domingo

Alcides e Marconi: tensão estratégica

Na cartilha da desunidade política dentro de uma base ampla de partidos, primeiro vem o confronto velado, depois a guerra declarada e, por fim, a divisão irrevogável. Irrevogável porque estabelecida na prática e no seio da soldadesca, independente da vontade dos comandantes e dos líderes de plantão.

Na base governista em Goiás, que reúne principalmente PP, PSDB, PR e PTB, o clima já é de guerra declarada, porém ainda não-deflagrada. Nenhuma novidade nisso. O novo está na preocupação que começa a surgir na cabeça de alguns alcidistas, anti-marconistas em especial, em relação ao futuro do governo.

Teme-se que a 'idéia' da divisão se estabeleça em definitivo na cabeça dos aliados em todo o Estado e dentro do próprio governo, com o governo passando de tesouro a ser resguardado do inimigo externo (em tese, o PMDB), a espólio disputado a ferro e fogo, em clima de salve-se quem puder. "Depois do boi morto, piranha quer tirar casquinha", filosofa um governista, para ilustrar o que pode vir a acontecer.

Para os alcidistas preocupados, um rompimento brusco com o senador Marconi Perillo (PSDB) seria ruim para Marconi e o governador Alcides Rodrigues (PP), mas, principalmente, para Alcides. Daí não ser razoável manter a estratégia de continuar esticando a corda dos desentendimentos, para não arrebentá-la. O ideal seria tudo ficar como está: a base aliada em estado de tensão constante. E só.

A avaliação no governo é a de que, de sua parte, Marconi vai segurar a tensão pelo menos até o final das eleições deste ano, no máximo até o meio do ano que vem. Depois, decide o que fazer, dentro do novo cenário político que naturalmente surgirá das urnas em outubro. Porém, se for muito provocado, não pensará duas vezes para romper agora, imediatamente, por ser de sua natureza a impulsividade.

Também a Marconi interessaria esse clima nada amistoso na base aliada, entendem os alcidistas, porque, já que ele não consegue emplacar o endeusamento de seu nome como "líder maior", a quem tudo pode e tudo se direciona, o usaria como preparação de campo para o posterior rompimento, ou então para a cobrança de uma re-unidade em torno de sua anunciada tentativa de volta ao governo em 2010.

Segurar o clima como está, que acaba então sendo estratégico para ambas as partes, é o desafio de Alcides, e maior ainda será mantê-lo depois de outubro, de modo a que seu governo não 'comece a acabar' antes da hora e não venha o rompimento de Marconi escorado no clima de 'salvador da pátria' e de 'fera ferida', ou traída, como os marconistas tentam, por sinal, imprimir desde já.

Neste meio tempo, esperam os alcidistas, o governador terá de fazer outra coisa: o seu governo deslanchar. E isso também com o objetivo de não se fragilizar e, por conseqüência, facilitar a possível ação do senador em direção ao rompimento.

E como manter o estado de tensão permanente sem deixar que a guerra declarada seja deflagrada? Não há receita de bolo, há teste de habilidade. Até agora, o silêncio calculado de Alcides tem funcionado como ingrediente fundamental para a situação estabelecida.

Reparem que Alcides fala, normalmente, apenas para 'calar' falastrões ou para apaziguar; no mais, ouve - em silêncio.

E que não se perca de vista um ponto: o jogo em curso mostra sombras, não está claro, todavia é inevitável constatar que o pior clima para os alcidistas, hoje, não é uma vitória do PMDB em 2010, e sim uma vitória tucana.

Por uma razão simples: do jeito que a história vai, quem mais se mostra predisposto a desconstruir o governo Alcides não são os peemedebistas - estes, aliás, estão estrategicamente benevolentes com ele -, e sim os marconistas, que avaliam que o que faz o governador a cada dia nada mais é do que exatamente tentar desconstruir os governos de Marconi Perillo.

A tensão na base aliada carrega a bomba atômica. E ninguém quer ser Hiroshima.

 

(Publicado na Tribuna do Planalto de 10.02.2008 - AQUI)

Postado por Vassil Oliveira às 21:17 de 10/02/08.
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11/02/08 - Segunda-feira

Raquel? Barbosa? O candidato da base é Iris

A propalada estratégia adotada por Barbosa Neto (PSB) de se apresentar como 'o' candidato do governador Alcides Rodrigues (PP) à Prefeitura de Goiânia ganhou ingrediente novo: tascar na deputada federal Raquel Rodrigues, pré-candidata tucana, a pecha de 'a' candidata do senador Marconi Perillo (PSDB).

O objetivo é mais do que claro: mostrar Barbosa como um nome amplo, de uma base que se escora no poder, e Raquel, como uma candidata de bolso do colete marconista.

Nem consideremos que a estratégia escancara o confronto entre alcidistas e marconistas, ou que pode indicar que Barbosa ainda guarda mágoa do senador por ter sido preterido em nome de Sandes Júnior em 2004. O que importa é o que os fatos mostram. E eles são, como a estratégia barbosista, evidentes:

1 - Raquel pode ter desagradado Alcides ao deixar a Secretaria da Cidadania inesperadamente, no ano passado. Mas também desagradou Marconi ao aceitar o convite de Alcides para ir para o governo. Seis por meia dúzia: Raquel desagradou todo mundo, ou não desagradou ninguém, está perdoada por todos e tem chances reais de ser candidata.

2 - Barbosa agradou Alcides ao aceitar um cargo no governo (é presidente da Agetur), e permanecer no governo apesar da falta de dinheiro e das dificuldades iniciais, ao contrário de Raquel. Porém, Barbosa no governo é mais um prêmio para Alcides ou para Barbosa? E será que a ida ao governo supera o fato de o candidato ao governo Barbosa Neto ter atacado duramente o adversário Alcides, e o governo marconista do chamado 'tempo novo', na campanha de 2006, enquanto Raquel estava, então, na defesa justamente de Alcides e Marconi contra Barbosa?


3 - Raquel e Barbosa despertam desconfiança tanto em seus partidos quanto nos outros. Alcidistas da gema torcem o nariz para a tucana, por exemplo, porque ela está no meio do caminho, sem ser alcidista de verdade, ou marconista assumida. Mas também torcem para Barbosa porque avaliam que, se ele exaltou e depois renegou tanto Iris Rezende (PMDB) quanto Marconi, pode fazer o mesmo com Alcides depois de eleito.

Paremos por aqui (ou leia mais na página 5), porque aí já temos o que a realidade nos mostra: que os dois são candidatos de si mesmos, e que têm as mesmas chances dentro da base aliada.

Mostra outra coisa, que também não é novidade: a base ainda não tem nem candidato a candidato que a represente verdadeiramente. Ou será que alguém acredita que, se não for de Barbosa ou Raquel, esta base aliada governista possa se unir em torno de Vilmar Rocha (DEM) ou Sandes Júnior (PP)?

Por enquanto, o candidato da base - tanto a marconista quanto a alcidista - é outro: o peemedebista Iris Rezende. Todos querem eleger Iris para derrotar outro 'adversário', que provoca muito mais raiva: o interno.
Ah, tensão! Ah, base!

 

(Publicado na Tribuna do Planalto de 10.02.2008 - AQUI)

Postado por Vassil Oliveira às 09:20 de 11/02/08.
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11/02/08 - Segunda-feira

Três toques

Melhor dos mundos

Como esta é, por ora e no geral, uma eleição sem inimigos definidos, em que todos estão abertos ao diálogo, os políticos se esbaldam. Para eles, é o melhor dos mundos. Confronto aberto mesmo, só em julho, e ainda assim até outubro, porque depois começam as tratativas para 2010.

Sandes e Vilmar

Apesar dos pesares, Barbosa Neto (PSB) e Raquel Rodrigues (PSDB) são pré-candidatos pra valer, dentro da base ainda aliada, a prefeito de Goiânia. Disso, não há dúvida. Já Sandes Júnior (PP) e Vilmar Rocha (DEM) ainda não têm nem mesmo o respaldo na prática de seus partidos. Para eles, tudo é relativo.

Leréia em ação

Deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB) na Rádio 730, sexta-feira, 8: "Parece haver pré-disposição do governador (Alcides Rodrigues) em se distanciar daquele que ajudou a elegê-lo (Marconi Perillo)."

(Publicado na Tribuna do Planalto de 10.02.2008 - AQUI)

Postado por Vassil Oliveira às 18:25 de 11/02/08.
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12/02/08 - Terça-feira

A difícil missão da Raquel silenciosa

Por falar em Raquel Rodrigues (é que escreve Rodrigues, em vez de Teixeira, no post anterior, e o meu amigo Edmar puxou minha orelha; e, convenhamos, mereci, né, Edmar?), a primeira-dama e prefeita de Santa Helena vai enfrentar dois adversários este ano, caso seja candidata à reeleição:

1 - quem estiver do outro lado, no PMDB (Judson ou Cristian Gomes)

2 - o governador Alcides Rodrigues. Explico: justamente por ser primeira-dama, será emblemático para a oposição, mesmo a peemedebista, não tão oposição assim no Estado (no município a coisa ferve), vencê-la.

Ou seja: ela, que fala menos que o governador (se é que isso é possível), está mais calada ainda sobre seu futuro político. Porque uma saída é não ser candidata. O problema é que, aí, o grupo do governador terá dificuldade de emplacar outro nome, mesmo que seja o de Carlos Silva (que, por ora, não parece tão interessado assim).

Postado por Vassil Oliveira às 10:03 de 12/02/08.
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12/02/08 - Terça-feira

Caiado: cada um por si em 2010

O presidente do DEM, deputado federal Ronaldo Caiado, disse hoje de manhã ao Cá Entre Nós, da Rádio 730, que defende a tese de que todos os partidos da chamada base aliada devem lançar pré-candidatos ao governo, em 2010. "Pra mim, é uma tese lógica", disse.

A conversa para uma aliança, se houver aliança, ocorreria no segundo turno.

É mais outro que não vê mais a base alida tão aliada assim - a começar por 2008.

(A previsão é de que a entrevista esteja disponível na página da Rádio 730 ainda hoje.)

Postado por Vassil Oliveira às 13:10 de 12/02/08.
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12/02/08 - Terça-feira

Na saída do jogo

Há jornalistas em Goiás que deveriam ser bem pagos só para fazer uma coisa: escrever. Por exemplo: o Rodrigo Hirosi, lá de O Popular. Em vez de editor, tinha de escrever, escrever, escrever, porque dá gosto ler o que ele escreve.

Lembrei-me dele porque, infelizmente, faz algum tempo que nada leio dele. Uma pena. Lembrei-me também porque eu vivia cobrando de outro cara que escreve maravilhosamente bem, que escrevesse mais, principalmente crônicas.

Pois finalmente, do jeito dele, caladinho (primeiro o Eduardo descobriu, e eu fui no rastro, claro, né...), eis que o Marco Aurélio Vigário, que vem a ser Editor Executivo da Tribuna do Planalto, vai escrever. Quero dizer: já está escreverendo. em blog próprio, o que é bom (e será melhor quando começarmos a publicar suas bem traçadas linhas também na Tribuna).

Eis aí um exemplo da estréia dele:

Fui ao jogo do Goiás contra o Atlético, domingo, no Serra Dourada. Empate decepcionante, por sinal: 1 a 1. Depois que vendi o carro e passei a andar de ônibus, minha vida é um exercício de paciência. Tudo bem, não estou reclamando. Na saída do estádio, paciência: resolvi esperar um pouco para pegar o ônibus mais vazio. Encostei num muro. Fiquei observando três policiais montados em seus cavalos, impassíveis. Aguardavam qualquer sinal de tumulto para partir pra cima da multidão e descer o cassetete sem dó na cabeça de quem estivesse no caminho. Dizem que os cavalos são treinados para morder, e que a mordida é muito doída. Mas a situação, naquele momento, era tranquila. Eles apenas acompanhavam a fila de torcedores que entrava no ônibus.

Um garoto de mais ou menos 10 anos se aproximou dos policiais. Ele vestia uma calça de pano e uma camisa do Goiás, ambas já bastante surradas, assim como os chinelos de tiras, estilo havaianas. Fiquei tenso por um instante, imaginando que, se um daqueles cavalos estranhasse a presença do garoto, aconteceria uma tragédia. Engano meu. O que se desenhou a seguir foi uma cena lírica digna de Visconti ou Rossellini: o menino, sem medo nem pressa, acariciou delicadamente cada cavalo, passou a mão na testa, penteou a crina, alisou o pêlo. Os animais permaneceram imóveis e mesmo os policiais não se importaram com o gesto. Trocaram algumas palavras, e um deles, de brincadeira, bateu de leve com o cassetete na cabeça do menino. Em seguida ele partiu, serelepe e feliz. Passou por mim sem saber que acabara de ganhar, por sua coragem, um admirador secreto. Sumiu no meio da multidão.

Voltei a olhar a fila do transporte. 

O título do texto é o mesmo deste post. Quer ler mais? Corre lá: o endereço é http://primeiroplano.blogspot.com/

Olha lá! Depois não diga que eu não avisei!!!

Postado por Vassil Oliveira às 21:16 de 12/02/08.
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13/02/08 - Quarta-feira

Marconi aponta: Meirelles é o adversário

Escreve Marcus Vinícius em seu blog (o título é o mesmo daí de cima):

A longa entrevista do senador e ex-governador Marconi Perillo (PSDB) ao jornal Diário da Manhã, sob o título "Marconi de peito aberto", foi reveladora. O diretor de redação João Bosco Bittencourt provocou o tucano em assuntos melindrosos: relação com o governador Alcides Rodrigues, governo Lula, candidatura em 2010. Um ponto, no entanto, merece atenção especial. A definição de seu futuro e de seu adversário. Negando-se inicialmente a definir se será ou não candidato ao governo em 2010, Marconi deixou escapar esta intenção em uma das perguntas no final da entrevista, na página 6. Mais: apontou quem pode ser o nome a ser batido neste projeto. Confira:

DM - A base aliada tem outros nomes?
Marconi - Espero que tenha. Isto é muito democrático. Essa é a vitória da democracia.

DM - Tem uma candidatura de Henrique Meirelles?
Marconi -
Não quero tratar deste assunto. Minha experiência política diz que, quando se busca um projeto eleitoral, todo adversário merece respeito. Em um projeto eleitoral, o adversário que parece ser fraco pode se transformar no adversário mais potente. E, às vezes, o adversário que é considerado mais forte, transforma-se no adversário mais fraco. É muito relativo. Depende muito das circunstâncias do momento.
 

Para ler mais, clique AQUI.

Postado por Vassil Oliveira às 11:47 de 13/02/08.
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13/02/08 - Quarta-feira

Boa música sempre

O recado é do amigo Antônio Leal. Por sinal, irrecusável:

Se você está com saudade da boa Musica Popular Brasileira, da Bossa Nova, do Jazz, do Rock, do Blues, das Poesias, venha fazer parte do meu mais novo projeto de comunicação, a Rádio É. Na radioe.com.br você ouve tudo que você gosta, 24 horas por dia, sem intervalos comercias. Se você aprovar, conte a novidade a todos os seus amigos.

Um grande abraço um ótimo 2008 e não esqueça: acesse agora mesmo e curta uma programação de alto nível.

 Aqui: Rádio E.

Postado por Vassil Oliveira às 19:22 de 13/02/08.
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14/02/08 - Quinta-feira

Lúcia Vânia e Marconi Perillo batem de frente

A informação está no site Congresso em Foco, sob o título Corte no Turismo abre ferida no PSDB: Irritada com críticas de colega de partido por rejeitar suas emendas ao orçamento, senadora Lúcia Vânia diz que vai deixar o partido.

Diz a reportagem, de Lúcio Lambranho (com Erich Decat):

Destino do maior volume de emendas parlamentares, o Ministério do Turismo sofreu uma dura derrota ontem (13) na Comissão Mista de Orçamento, com a aprovação de apenas R$ 538,9 milhões dos R$ 6,6 bilhões pedidos por deputados e senadores para a proposta orçamentária de 2008.

Mas a pasta da ministra Marta Suplicy não foi a única a acusar o golpe. A rejeição das emendas também atingiu em cheio o ninho tucano e pode precipitar a saída da senadora Lúcia Vânia (GO) do PSDB, reduzindo a bancada oposicionista no Senado.

"Eu vou tomar o meu rumo", disse a senadora, com exclusividade ao Congresso em Foco, ao anunciar que pretende deixar o partido depois de 11 anos de militância e de ser uma das principais executoras da área social no governo Fernando Henrique Cardoso.

Essa posição, segundo Lúcia, já vinha sendo estudada desde que ela foi excluída dos cargos do diretório do PSDB em Goiás. Mas a gota d'água para o desabafo da senadora foi uma discussão na manhã de ontem na Comissão Mista de Orçamento com o também senador goiano tucano Marconi Perillo, a quem ela acusa de restringir seu espaço na legenda.

Lúcia Vânia rejeitou as emendas de seu colega, que preside a Comissão de Infra-Estrutura, considerando a Resolução nº 1, de 2006, de autoria do deputado Ricardo Barros (PP-PR). A norma restringiu os ministérios para os quais as comissões permanentes do Congresso podem propor emendas. Pela regra, a comissão de Marconi não poderia pedir recursos para a pasta comandada por Marta Suplicy (leia mais).

Os argumentos da senadora contra a destinação de mais verba para o turismo também contrariaram a vontade de vários deputados da CMO, que tentavam ampliar suas emendas no relatório setorial destinado ao setor.

(...)

A relatora setorial decidiu deixar nas mãos do relator-geral do Orçamento, deputado José Pimentel (PT-CE), a possibilidade de aumentar ou não o total de recursos para essas quatro emendas caso ele decida que a resolução não deve ser aplicada nesses casos. 

A reação de Marconi foi imediata. Apesar de não fazer parte da Comissão Mista de Orçamento, o senador goiano fez questão de defender pessoalmente suas sugestões orçamentárias. Diante da resistência de Lúcia, declarou: "Vou levar essa questão para o presidente do meu partido, senador Sérgio Guerra". A senadora retrucou: "O seu partido, senador, é o meu partido".

A discussão também teve a intervenção do deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), aliado de Marconi e integrante da CMO. Antes de questionar a colega, Leréia escorregou na ironia. "A senhora é a senadora mais bonita de Goiás", disse o deputado ao se dirigir à única senadora goiana. "Se já tem R$ 50 mil, por que é ilegal ter mais R$ 50 milhões?", reclamou.

Ao término da sessão em que teve suas emendas rejeitadas, o ex-governador de Goiás disse ao Congresso em Foco que levaria mesmo o caso o presidente do PSDB, o senador pernambucano Sérgio Guerra. "O problema não é a emenda. O problema é que ela é muito individualista", criticou.

"Não posso viver ao sabor do que ele quer. São mais de 40 anos de vida pública e eu não posso me sujeitar a isso. Eu fui a única relatora que não foi investigada pela CPI dos Anões do Orçamento", desabafou a senadora goiana em entrevista ao site.

"Sou apaixonada pelo partido, tive participação importante no governo Fernando Henrique, executando programas sociais como o Peti [Programa de Erradicação do Trabalho Infantil] e o Bolsa Escola, mas ele não me deixa um cargo no PSDB de Goiás", reclamou Lúcia Vânia.

Ainda quando conversava com o repórter, a senadora recebeu um telefonema de Sérgio Guerra. "Tenho certeza de que essa situação vai ser resolvida", respondeu o senador ao ser questionado pelo site sobre a declaração de guerra entre os tucanos.

Quando foi questionado pela reportagem, ainda em dezembro, a respeito dos vetos da senadora às emendas orçamentárias, Guerra ficou do lado de Lúcia. "Isso não pode, e mostra que a resolução, que ainda não é suficiente, não está sendo respeitada. O orçamento segue sem o menor controle novamente", criticou o parlamentar na época.

Para ler toda a reportagem, clique AQUI.

Postado por Vassil Oliveira às 16:38 de 14/02/08.
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16/02/08 - Sábado

Mara Naves pega muuuiito leve com Alcides

Foi mesmo duro o discurso da deputada estadual Mara Naves (PMDB), em nome da oposição, na sessão que marcou a volta dos deputados ao trabalho, na sexta-feira, 15?

"Para a oposição, 2007 ainda é uma incógnita, pois, até o momento, ainda não ficaram devidamente esclarecidos os motivos pelos quais a administração pública goiana entrou em colapso. As causas e responsabilidades ainda não foram devidamente debatidas, avaliadas e apuradas", disse a deputada.

Isso é ser duro?

Está estampado aí, parece claro, uma outra questão, que atende a estretágia de parte do PMDB: pegar leve com Alcides, mas estimulá-lo a bater no ex-governador e senador Marconi Perillo (PSDB).

Porque está na frase muito mais uma provocação para que Alcides esclareça "as causas e as responsabilidades" do "colapso" da administração pública do Estado, do que uma crítica contundente.

E tem esta outra frase do discurso de Mara: "Se a reforma alcançar êxito suficiente e der rumo à administração, o governo, enfim, poderá ter começado (em 2007). Se fracassar, restará ao Executivo a tarefa de tentar fazer em três anos o que poderia ter sido realizado em quatro, sob pena de fracasso perante o infalível Tribunal da História."

Ou seja: "se" a reforma deslanchar, bem; "se" não deslanchar, aí AINDA "restará ao Executico a tarefa de tetnar fazer em três anos o que poderia ter realizado em quatro..."

Isso é ser duro?

Na parte do discurso em que Mara realmente começa a bater duro, tudo fica nas palavras resumidas. Não avança. Ou seja: ela pega leve: "Com o agigantamento das potencialidade, chegam também os grandes desafios. Não poderá haver retrocesso. As oposições estarão vigilantes para que sejam garantidas as condições para a manutenção dos níveis de investimentos privados e restaurados os investimento públicos, especialmente no setor produtivo. Estes, principalmente, na conservação das estradas que se enc0ntram em situação precária, comprometendo o escoamento da safra; bem assim, sejam garantidos padrões de qualidade nos serviços essenciais, como saúde, educação e segurança, valendo lembrar a interminável crise do Hispital de Urgências de Goiânia - Hugo, o aumento dos casos da dengue e o surto de febre amarela, que, como conseqüência, já atingiram até o turismo em nosso Estado. A violência persistente, envolvendo principalmente os adolescentes, está a exigir medidas urgentes. É necessário assegurar aos servidores públicos condições dignas de trabalho e salário. E ainda restaurar os programas de inclusão social."

Vê como a coisa começa a ir (para a oposição dura), mas não vai? Palavras leves...

Definitivamente, o discurso de Mara Naves foi de uma oposição que não quer se opor tanto assim - no máximo, quer colocar fogo na guerra interna na base aliada. 

Postado por Vassil Oliveira às 17:04 de 16/02/08.
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16/02/08 - Sábado

O que há nas entrelinhas do poder

Bruno Rocha Lima e Fabiana Pulcineli, de O Popular (só para assinantes), reproduzem uma declaração, na reportagem que assinam juntos sobre a volta ao trabalho dos deputados, que mostra muito, em poucas palavras.

Ao final da sessão, a oposição comemorou a falta de sintonia da base e os desgastes do governo com seu próprio grupo. "Quando discursam, defendem o Marconi. Deve estar faltando argumentos para falar bem do governador", ironizou o líder do PMDB, José Nelto.

Eis duas questões que realmente importam entender, e que estão nas entrelinhas:

  1. Os deputados e muitos auxiliares do governo defendem mesmo é Marconi, e de vez em quanto, muito levemente, Alcides. Falta argumento ou porque a lealdade que devotam é ao tucano? Ou as duas alternativas estão corretas?
  2. as divergências (melhor será dizer guerra) na chamada base aliada não acabou. Aliás, está cada vez pior, como ferida exposta.

Detalhe: no ritmo que vai, José Nelto vai acabar mesmo virando referência de oposição ao tal do tempo novo.

que coisa!

Postado por Vassil Oliveira às 18:15 de 16/02/08.
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18/02/08 - Segunda-feira

Alcides e o tucano senador não querem perder para Iris

Só para insistir na análise, apresentada aqui na semana passada, de que, no final das contas, o candidato da base aliada à Prefeitura de Goiânia é, em verdade, o atual prefeito, Iris Rezende (PMDB).

Raquel Teixeira (PSDB) e Barbosa Neto (PSB) estão em uma sinuca de bico com essa história de que ela candidata do senador Marconi Perillo (PSDB) e ele, do governador Alcides Rodrigues (PP), à Prefeitura de Goiânia. A avaliação no que ainda resta da base aliada é de que nem Alcides, nem Marconi querem ir para o confronto direto com Iris.

A Alcides não interessa uma briga direta com Iris e com o PMDB. Ele sabe que a bronca maior de ambos é com Marconi. Para Marconi, uma candidatura que carregue o seu apoio explícito implica em confronto direto com Iris, o que ele nem seus aliados querem por entenderem que está cada vez mais difícil derrotar o peemedebista.

Raquel e Barbosa estariam, então, brigando em vão, porque, no final das contas, quem vencer a batalha interna ficará órfão do apoio de Alcides e Marconi. Sandes não conta porque, dentro do próprio PP, a convicção é de que ele quer é a vice de Iris, o que não interessa diretamente ao PP.

Sobra alguém para enfrentar Iris? Certamente: o próprio Iris. Iris é o único capaz de derrotar Iris. Difícil, com tanta ajuda que vem recebendo.

 

(Publicado na Tribuna do Planalto em 17.02.2008)

Postado por Vassil Oliveira às 19:49 de 18/02/08.
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18/02/08 - Segunda-feira

Governador não poderá se omitir

O governador Alcides Rodrigues é cobrado pelo PP para agir, e agir logo, em favor das candidaturas futuras do partido a prefeito. A cobrança vai aumentar, e não partirá apenas do seu PP. Os outros partidos também querem um governo forte e bem-estabelecido para ajudar nas disputas de outubro. Querem mais: que o governador entre no jogo.

Por mais reservado e cauteloso que seja, o governador não poderá, por exemplo, omitir-se em casos como o imbróglio estabelecido em Aparecida de Goiânia. Lá o PP quer se juntar ao PMDB para enfrentar o PR de seu vice-governador, e o PSDB está contra todos -  ou todos estão contra o PSDB.

Outro local onde uma omissão é complicada é Rio Verde. Mas lá, ao que parece, ele dificilmente ficará contra Paulo Roberto Cunha (PP). Em todo caso, assumir isso implicará em caminhar em uma direção e o PSDB, em outra. E em Anápolis? Ex-interventor no município, Alcides será cobrado por razões administrativas e por razões políticas: as vitórias locais da chamada base aliada foram fundamentais nas disputas estaduais.

A omissão é o maior pecado de um político, alguém já disse isso. Então, é de se supor que ele vai se posicionar. Resta saber quando. E contra quem. Aí é que terá, então, uma leitura mais apurada de como ficará o jogo para 2010.

 

(Publicado na Tribuna do Planalto em 17.02.2008)

Postado por Vassil Oliveira às 19:50 de 18/02/08.
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18/02/08 - Segunda-feira

Três pontos

Contra Raquel e Barbosa

Deputados federais atuais e outros tantos interessados em disputar uma vaga na Câmara, em 2010, não mostram lá muito interesse em dar uma mãozinha para Barbosa Neto (PSB) e Raquel Teixeira (PSDB) na disputa em Goiânia porque acreditam que os dois estariam atrás mesmo é de fortalecer seus nomes para tentar a disputa que realmente lhes interessa: a de dois anos depois. O curioso é que a tese reafirma outra: na base aliada, a eleição contra Iris Rezende (PMDB), na Capital, já é dada como perdida.

De Goiânia para o interior

Para o ex-deputado federal Vilmar Rocha (DEM), Goiânia é reflexo para o interior. Significa dizer que, se der unidade na base governista na disputa na Capital, fica mais fácil curar as feridas no interior e amarrar aliança dentro do espectro aliado. Mas se aqui não houver união...

Óbvio ululante na base

Ainda Vilmar Rocha, sobre o fato de que a base aliada está ajudando, e muito, o prefeito Iris Rezende a se reeleger: "Iris deve estar rindo do desarranjo da base aliada."

 

(Publicado na Tribuna do Planalto em 17.02.2008)

Postado por Vassil Oliveira às 21:52 de 18/02/08.
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19/02/08 - Terça-feira

Marconi elege seus inimigos

Aos poucos, o senador Marconi Perillo (PSDB) define quem quer contra ele nas próximas eleições. Um dos pressupostos de Maquiavel é este: o político deve escolher o inimigo. No início da semana passada, ele acrescentou à galeria dos que quer contra seu projeto, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Em entrevista ao Diário da Manhã, publicada em seis páginas na segunda-feira, Marconi foi claro, ante a oportuna pergunta do diretor de Redação do jornal, João Bosco Bittencourt: (O sr.) teme uma candidatura de Meirelles (ao governo, em 2010)?

- Não quero tratar deste assunto. Minha experiência política diz que, quando se busca um projeto eleitoral, todo adversário merece respeito. Em um projeto eleitoral, o adversário que parece ser fraco pode se transformar no adversário mais potente. E, às vezes, o adversário que é considerado mais forte, transforma-se no adversário mais fraco. É muito relativo. Depende muito das circunstâncias do momento - disse o senador.

Alguma dúvida? Isso no início da semana. Ao final, outro adversário definitivamente estabelecido: a senadora Lúcia Vânia (PSDB). Só para lembrar, os dois protagonizaram bate-boca na Comissão Mista de Orçamento porque Marconi queria enfiar emendas, segundo Lúcia, no orçamento do Ministério do Turismo, contrariando resolução que restringe os ministérios para os quais as comissões permanentes do Congresso podem propor emendas. Marconi acusou Lúcia de individualista, que retrucou afirmando que não pode "viver ao sabor do que ele quer".

Alguém dirá: mas qual a novidade, se se sabe que Marconi não cumpriu acordo firmado com Meirelles de garantir-lhe vaga para disputar o Senado, em 2002, e que, neste mesmo ano, ao tentar garantir a vaga para o presidente do BC, foi para o confronto direto com a senadora, o que se repetiu outras vezes, a mais recente na definição do deputado federal Leonardo Vilela como presidente regional do PSDB, sem que fosse consultado, segundo reclama?

De fato, nenhuma novidade na constatação de que ele já acumulava contrariedade desses dois nomes. Só que isso era velado. Marconi nunca tinha deixado escapar que vê em Meirelles um adversário para 2010. Mantinha aceso o discurso elogioso e distante, a indicar ambigüidade no posicionamento sobre uma possível candidatura do presidente do BC ao governo.

O senador tucano se esmera na arte de fazer inimigos. Nos últimos meses, comprou briga nos bastidores com o grupo alcidista e com o próprio governador Alcides Rodrigues (PP). Uma briga que dificilmente terá volta. Assim como dificilmente também terá a estabelecida com o presidente do PR, deputado federal Sandro Mabel, desde que este foi jogado por ele na cova do mensalão; e outra, com o vice-governador Ademir Menezes.

Com Ademir, o caso mais inusitado: sem razão aparente, enfiou em Aparecida de Goiânia, base de Ademir, um dos integrantes de sua tropa de choque, o deputado estadual Daniel Goulart, justamente para fazer oposição ao grupo liderado por ele, Ademir.

Só aí já se vê uma boa galeria de adversários potenciais escolhidos, ao que parece, a dedo pelo senador (há outros, inclusive muitos que por ora não admitem), que, naturalmente, já tem no prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), o seu maior antagonista. Não é à toa, pode-se argumentar, que nos últimos meses Iris venha conversando bastante com Alcides, que faz ponte política com Meirelles, que, por sua vez, trata igualmente de estabelecer boas relações com Iris, e que Mabel seja um dos principais defensores tanto de Iris (com quem quer aliança para a prefeitura) quanto de Meirelles (que vê como melhor nome para disputar o governo).

Nessa história, Lúcia Vânia entra como ponto perturbador de Marconi principalmente se permanecer no PSDB. Nacionalmente, Lúcia tem bom trânsito no partido e confiança dos principais líderes tucanos. Aqui, é defensora de primeira hora de Alcides e adversária antiga de Marconi e seu grupo mais próximo (Leonardo Vilela, Carlos Alberto Leréia e Daniel Goulart), que vira e mexe estão em confronto direto com ela.

Uma crítica muito ouvida sobre Marconi é que ele tenta impor a sua história sobre todas as outras. Para firmar a sua, como "o maior político de Goiás em todos os tempos", busca anular as demais. Daí a visão de que todos se subordinam a ele, todos lhe devem vênia, e que qualquer ação em contrário é um acinte que deve ser combatido com fúria divina - afinal, não se contraria Nosso Senhor.

Certo é que não se escreve uma história antes de construí-la. A não ser que seja peça de ficção. A história de Marconi está sendo construída. O mais que há é um drama muito bem-urdido para sensibilizar a platéia. O detalhe: parte da platéia marconista não é passiva. E, tanto quanto ele, quer ser protagonista.

 

(Publicado na Tribuna do Planalto em 17.02.2008)

Postado por Vassil Oliveira às 10:07 de 19/02/08.
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22/02/08 - Sexta-feira

Marconi X Lúcia

 O PSDB deu munição farta à senadora Lúcia Vânia para pedir o seu afastamento do partido. Agora, ela poderá sustentar a saída alegando perseguição. Tudo está documentado na Nota à Imprensa distribuída pela direção tucana em Goiás na sexta-feira, 22.

A nota do partido é muito mais uma defesa do senador Marconi Perillo do que qualquer outra coisa. A começar por estabelecer como uma "verdade partidárias" que Lúcia teria agido contra os interesses de Goiás no episódio da rejeição de emendas apresentadas por Marconi na Comissão Mista de Orçamento.

Lúcia rejeitou as emendas com base na Resolução nº 1, de 2006, de autoria do deputado Ricardo Barros, do PP de Paraná. Pelas regras estabelecidas na norma, outra comissão, como a presidida por Marconi (Infra-Estrutura), não pode pedir recursos para a pasta comandada por Marta Suplicy.

A nota do PSDB, no entanto, afirma categoricamente: "O descontentamento da senadora foi despertado em episódio recente (...) Para não acolher essas duas emendas de Marconi Perillo, a senadora Lúcia Vânia brandiu a Resolução 1, de 2006,  que, na visão por ela apresentada, não permitiria ao presidente da CI apresentar tais emendas."

Marconi é o bem; Lúcia é o mal para Goiás. É o que prega a nota feita pela assessoria do governador, quer dizer, pelo PSDB. É no mínimo curioso ainda o currículo da senadora apresentado pela direção tucana. "É importante ressaltar que o partido sempre abriu todos os espaços para a senadora", sustenta a nota, que enfatiza que a ela foi garantido o direito de ser candidata ao Senado "em detrimento da postulação de Henrique Meirelles". Como se tivesse sido para fácil conseguir a vaga de candidata.

Mas a melhor parte da nota é o parágrafo final. Diz: "O respeito ao contraditório é premissa básica da democracia. O PSDB conhece, respeita e prega esse entendimento e jamais aceitará entrar em um jogo conflitivo de chantagens e de discórdia."

Tá bom. Tenho de ler que esse PSDB marconista (é só ver quem assina a nota) respeita o contraditório. Tá bom: Marconi Perillo é o primeiro a respeitar o contraditório, né?

Eu que o diga...

 

Abaixo, a íntegra da nota distribuída hoje à imprensa:

Da Executiva Regional do PSDB:

Um partido político se constrói em torno de idéias e de pessoas. O PSDB destaca-se na história de Goiás e do Brasil - e orgulha-se disso - pela coerência de seus posicionamentos e pela competência de suas lideranças e de seus militantes.      

O PSDB valoriza sua unidade, mas também reconhece que, muitas vezes, é nas diferenças que reside a riqueza do processo democrático. Nunca foi, por isso, um organismo de pensamento único. Mantém seus espaços constantemente abertos às manifestações dos filiados, sempre recomendando, contudo, que as tomadas de posição observem seu foro adequado.

Assim, a Executiva regional do PSDB considera lamentáveis algumas manifestações da senadora Lúcia Vânia que, volta e meia, ameaça deixar o partido, como fez em recentes entrevistas publicadas no site Congresso em Foco (14/fevereiro) e no jornal O Popular (22/fevereiro). Nessa última, ela chega a dizer que está "sendo praticamente expelida do partido" e que "não há possibilidade de continuar em um partido se ele não te quer, não te valoriza".

O descontentamento da senadora foi despertado em episódio recente, que vale relatar: a pedido da ministra do Turismo, Marta Suplicy, e do presidente da Agência Goiana de Turismo, Barbosa Neto, o senador Marconi Perillo apresentou duas emendas na Comissão de Infra-Estrutura, que ele preside, em benefício do Prodetur (R$ 400 milhões) e da infra-estrutura turística (R$ 30 milhões) nos 246 municípios goianos.

Havia o compromisso prévio de aprovação dessas emendas pelo então sub-relator da Comissão de Orçamento, senador Sérgio Guerra, atual presidente nacional do PSDB, que, com sua eleição ao comando do partido, atribuiu à senadora Lúcia Vânia as funções de sub-relatora da Comissão de Orçamento para a área de turismo. A senadora comprometeu-se então a dividir os recursos disponíveis entre a comissão que ela preside e a comissão presidida por Marconi Perillo, mas não o fez.

Para não acolher essas duas emendas de Marconi Perillo, a senadora Lúcia Vânia brandiu a Resolução 1, de 2006,  que, na visão por ela apresentada, não permitiria ao presidente da CI apresentar tais emendas. Mas esse argumento cai por terra quando se observa que ambas haviam sido previamente admitidas pelo comitê específico para isso e pela Comissão de Orçamento.

Destinar R$ 50 mil (foi essa quantia irrisória, mas poderia ser qualquer outra) para cada emenda já seria, do ponto de vista dela, descumprir em tese a Resolução 1. Portanto, a senadora carece de qualquer razão que justifique seu gesto arbitrário contra o colega senador, que é de seu partido e de seu Estado, e contra os interesses maiores do Brasil e dos 246 municípios goianos.

É importante ressaltar que o partido sempre abriu todos os espaços para a senadora, deu-lhe apoio em suas postulações e garantiu-lhe respaldo nos diversos cargos que ocupou em sua vida pública ao longo dos últimos 15 anos. Vale recordar:

  • Para apoiar Lúcia Vânia, então do PP, o PSDB desistiu da candidatura tucana do ex-prefeito Nion Albernaz a governador em 1994.
  • Deu apoio para que Lúcia Vânia assumisse a Secretaria Nacional de Assistência Social, no Governo FHC.
  • O PSDB foi a legenda pela qual Lúcia Vânia elegeu-se em 1998 à Câmara dos Deputados.
  • Candidata à Prefeitura de Goiânia pelo PSDB em 2000, o então governador tucano Marconi Perillo dedicou-se integralmente a apoiá-la.
  • Candidata ao Senado em 2002 (em detrimento da postulação de Henrique Meirelles), contou com o apoio decisivo do governador Marconi Perillo, de toda a máquina partidária, dos deputados, dos prefeitos e dos diretórios, além da base aliada.
  • Com o apoio incondicional do PSDB goiano, exerceu dois mandatos como vice-presidente nacional do partido.
  • Como senadora, foi indicada presidente da Comissão de Assuntos Sociais.
  • Membro e relatora setorial, em nome do PSDB, junto à Comissão de Orçamento.
  • Líder da Minoria no Senado, por indicação da bancada de senadores do PSDB.
  • Foi indicada vice-presidente da CPI das ONGs.
  • Foi indicada membro efetivo da CCJ, principal comissão permanente do Senado Federal.

Por ser detentora de um cargo majoritário e por ter até mesmo disputado a Prefeitura de Goiânia pelo partido em 2000, chega a ser uma contradição Lúcia Vânia afirmar que se sente restringida pela cúpula partidária. Na verdade, diante dos fatos e da legislação, a Executiva só pode entender que a parlamentar pretende desistir de seu mandato. Uma eventual mudança de partido, recorde-se, implicaria na perda do mandato, que pertence ao PSDB. E, no caso da desfiliação da senadora, a Executiva teria a obrigação de ir - e irá - à Justiça para recuperar essa vaga no Senado. 

 A Executiva do PSDB sempre respeitou a história e o trabalho parlamentar da senadora Lúcia Vânia, mas observa que sua conduta às vezes extravia-se do bom senso. Se ela tem reclamações sobre a condução do partido, por que nunca quis participar de qualquer reunião da Executiva, mesmo tendo sido para isso insistentemente chamada? Por que prefere dar tanta publicidade a suas queixas, em vez de procurar pelo menos algum segmento do partido para dialogar?

Neste momento decisivo, em que o partido precisa e busca consolidar uma expressão ainda maior nas eleições municipais, as ações da senadora mostram-se inoportunas. Como se afirmou aqui, a Executiva do PSDB aposta na unidade e prestigia suas lideranças e seus militantes que buscam o entendimento.

O respeito ao contraditório é premissa básica da democracia. O PSDB conhece, respeita e prega esse entendimento e jamais aceitará entrar em um jogo conflitivo de chantagens e de discórdia.

Goiânia, 22 de fevereiro de 2008

Assinam:

Executiva Regional do PSDB
Deputado federal Leonardo Vilela - presidente
Deputado estadual Daniel Goulart - 1º vice-presidente
Deputado federal Carlos Leréia - 2º vice-presidente
Secretário-geral - Sérgio Cardoso
Deputado estadual - Fábio Sousa
Secretário de Justiça - Edemundo Dias - tesoureiro
Paulo de Jesus - 1º tesoureiro
Líder da bancada estadual - Padre Ferreira
 
Parlamentares:
Deputado Jardel Sebba
Deputado Evandro Magal
Deputado Helder Valin
Deputado Honor Cruvinel
Deputado Iso Moreira
Deputado Júlio da Retífica
Deputado Túlio Isaac

Postado por Vassil Oliveira às 17:07 de 22/02/08.
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20/02/08 - Quarta-feira

Indelevelmente

Quem não tem o que inventar, inventa uma grande fogueira que nunca se apaga para a praça daquela cidade tão sem tamanho. Também inventa que a fumaça, sumindo no céu, é gente quando estou por perto. Nascido de todos, rosto fino, de mulher espantosa embora homem inenarrável, braços longos, pés que se plantam ao chão que pisam, nariz estreito e boquiaberto sempre; ou mudando a cor dos cabelos, alongando o nariz, estreitando a boca e sorrindo depois de ter chorado. Eis que Indelével é cada morador da cidade, que gosta de ver o que não reconhece, e de ser o que nem se percebe.

Conto uma história. Ele está na esquina do açougue tentando escutar o que falamos num fininho. Hora morna, tarde quieta. Conversamos tão baixo, e só para nós quatro, que ele ouve apenas o dia. Está confuso por não nos entender. Espera que falemos mais alto. De repente fugimos cada um para o seu lado, na hora. Ele se assusta, sem saber o que fazer - e não faz nada. Rimos. Começa a brincadeira.

Desaparecemos de vez no ar. Enganamos as ruas e os inimigos; os amigos e as pedras; os vivos e enganamos Indelével. Feitos de dissimulação, dissimulamos até mesmo nossa ausência, nesta cidade. Ele vai para a praça nos esperar. Faz desenhos com os olhos, enquanto iniciamos nossa sutil caminhada até ele.

Nós, escusos. De árvore em árvore, em todas as ruas. Atrás dos postes de luz. Pelo não ver dos passantes. Precisos. Por que não ser perfeitos? Cada um sentindo a aproximação dos outros três. Indelével não percebe a nossa chegada, e a cada segundo se distrai mais. Por querer? Perfeitos.

Agarrados aos meio-fios, às sombras dos ramos, vamos escorregando. Já é noite forte. Um esconde-se atrás do espinho caído próximo a Indelével. Dois mete-se entre as gretas de cimento das calçadas. A praça repleta de praça. Três mistura-se aos muitos raios da lua. Quatro vira-se do avesso para parecer ninguém nem algo, enquanto o vento absorve o nosso cheiro e nos acalma com o seu frescor.

Ainda mais próximos. Por um hálito. A máxima perfeição. Que Indelével seja apenas alguém numa praça, desprevenido do mundo. Então partimos ao seu encontro.

Diretos sobre ele, que nem pode se assustar, recebe o impacto das quatro cabeças em seu corpo, sobe, estoura no céu e na terra, despedaçado, sem tempo de ter um segundo com a memória de uma vida. Rimos e é fervoroso, tanto prazer. Um por um os habitantes da cidade vão surgindo para a tudo ver de perto. Quando partimos para a Grande Fogueira.

Aos poucos o fogo chega aos quatro, alcançando-nos na brisa, fumaça viva solta vida.

Espalhados, confundidos com o ar puríssimo da cidade. E num fundo aspirar das pessoas, somos sugados por pulmões misturados aos olhos, às rugas e ao gosto absurdo pela paciência, dos amigos da nossa morte e dos amigos da nossa vida. Mas chega. É hora de interpretar.

 

(Publicado na Tribuna do Planalto em 17.02.2008)

Postado por Vassil Oliveira às 01:55 de 20/02/08.
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18/02/08 - Segunda-feira

Lúcia X Marconi: só ela não diz amém!

Afinal, Lúcia Vânia e Marconi Perillo estão de bem ou de mal?

Estão como sempre estiveram: em confronto. Lúcia é uma das poucas que tem coragem de enfrentam Marconi. E faz isso para afirmar a sua história, e não para destruir a de quem quer que seja - atitude totalmente à de Marconi, que quer afirmar a sua sobre os escombros de qualquer outra, a de Lúcia, inclusive, se ela deixasse.

Dentro do PSDB, então, Lúcia é a única a abrir a boca. Todos os outros dizem amém!, sim, senhor!, glórias a ti, nosso senhor Marconi, o Altíssimo Líder Maior!!

No mais, que fique o registro da boa reportagem de Fabiana Pulcineli domingo, em O Popular ("PSDB cobra ação do governo" e "Crise entre Lúcia e Marconi fica visível"), sobre o encontro de Goiatuba, e parte do artigo de Cileide Alves hoje no mesmo O Popular, sobre Lúcia.

PSDB cobra ação do governo

Duras críticas ao governo Alcides Rodrigues (PP) e o clima tenso entre os senadores Lúcia Vânia e Marconi Perillo, ambos tucanos, mostraram ontem a distância entre a prática e os discursos em defesa da união da base governista e do "fim das vaidades", ouvidos ontem no encontro regional do PSDB em Goiatuba (170 quilômetros de Goiânia). A mensagem da faixa estendida em frente à mesa das autoridades não combinava com os gestos e palavras de parte das lideranças do partido: "Aqui reina o espírito de aliança entre os partidos governistas, baseada nos princípios da lealdade e da verdade".

A maioria das declarações de tucanos trouxe alfinetadas e cobranças por obras e ações do governo, mas coube ao deputado Carlos Alberto Leréia - um dos mais fiéis aliados de Marconi - o discurso mais radical, de reclamações sobre a concentração de poder nas mãos do secretário da Fazenda, Jorcelino Braga, da falta de diálogo da administração estadual, da demora na implantação da reforma administrativa e da redução de investimentos.

"Não adianta querermos aqui fazer teatro. As pessoas percebem o que está acontecendo", disse no início do discurso. Destacando que tem visitado municípios de todas as regiões do Estado, Leréia afirmou que as pessoas reclamam das estradas goianas "que estão acabando" e do não-pagamento dos programas sociais. "Não tem que apelar. O governo não tem que ficar bravo quando é cobrado por políticos ou pela imprensa. Tem é que responder; explicar por que não cumpre as promessas que fez na televisão e nos palanques", disse. "Quando se faz compromissos, tem de ter a certeza de que dará conta de cumpri-los", completou.

Em críticas à demora da implantação da reforma, Leréia citou dois auxiliares do governo presentes no encontro - Ageu Cavalcante (Trabalho) e Edemundo Dias (Justiça) -, cujas secretarias devem ser extintas. "Não sei se chamo vocês de secretários ou não. A secretaria existe, mas foi extinta. Como é isso?", questionou, arrancando intensos aplausos dos tucanos. "A situação é muito grave. A Agência Ambiental existe ou não? Ela pode multar? Isso diz respeito a todos."

Leréia falou da importância de atendimento às demandas dos municípios. "Eu tenho esperança de que haja mudanças e maior diálogo por parte do governo, especialmente com os prefeitos, que precisam do Estado", disse. "E não é o Braga que tem de falar e ser cobrado. Ele não foi eleito, ninguém o conhece. Foi o Alcides que nós escolhemos para ser governador", disse, recebendo novamente muitos aplausos. "Ele é que tem de agir com clareza."

O deputado tucano lembrou também o encontro anterior do PSDB, em Quirinópolis, no mês passado, quando o irmão do governador, Márcio Rodrigues, foi anunciado como representante de Alcides. No dia seguinte, o pepista desautorizou o irmão a falar em seu nome. "Qual o problema? Ele (Márcio) não falou nada demais; ao contrário, defendeu a unidade da base. É preciso ter sinceridade, clareza", cobrou.

Leréia criticou as reclamações do governo sobre dificuldades financeiras. "Alcides conhecia o governo porque foi vice por dois mandatos, secretário de duas pastas, interventor de Anápolis; acompanhou tudo do governo", lembrou. "Não podemos ficar em silêncio vendo que não há predisposição (do governo) para solucionar os problemas. Somos responsáveis também por esse governo porque ajudamos a elegê-lo."

O deputado falou também da centralização de poder. "O Aécio (Neves, governador de Minas Gerais) viaja para a praia, para o Rio de Janeiro, e nenhuma saída dele do Estado gera desgastes, ninguém vê no jornal. Por quê? Porque os secretários têm autoridade para atuar e trata-se de um colegiado", comparou. "Agora aqui apenas um secretário manda e os outros dizem amém. Está errado."

Cobranças

Lideranças locais fizeram cobranças de investimentos, especialmente nas rodovias e nos programas sociais. O deputado estadual Daniel Goulart, também um dos fortes aliados de Marconi, disse que o PSDB enfrenta pessoas "ingratas que querem manchar o maior patrimônio do partido em Goiás, o senador Marconi". "Primeiro enfrentamos o PMDB, depois vieram os ataques do DEM, com Ronaldo Caiado (deputado federal e presidente do partido regional), e agora cai a máscara de alguns ingratos."

Seguindo a linha de cobranças ao governo, o deputado federal João Campos disse que a vitória de Alcides só foi possível graças à união com o PSDB e cobrou investimentos da administração pepista. "Este ano há de ser diferente de 2007, com muitas obras e realizações. Alcides tem a responsabilidade de dar continuidade à gestão realizadora de Marconi."

O senador fez um discurso breve, em que afirmou que o PSDB deu "várias demonstrações" de desprendimento, abrindo mão de candidaturas em anos anteriores, e ressaltou ações de seu governo. "Nunca os goianos tiveram auto-estima tão alta como no meu governo. Procurei dar um rumo, um norte para a administração", afirmou. "Não indico nomes para o governo e só vou ajudar se for procurado. Nem por isso vou deixar de apoiar o governo. Vamos continuar apoiando até a última hora porque acreditamos no tempo novo."

Crise entre Lúcia e Marconi fica visível

Apesar da pose para as fotos ao final do encontro regional do PSDB em Goiatuba, a crise entre os senadores Lúcia Vânia e Marconi Perillo ficou visível no evento, especialmente com a provocação do senador de chegar acompanhado por uma tropa formada por parte das principais lideranças do partido no Estado. Lúcia chegou sozinha por volta das 11h15, cumprimentou rapidamente o presidente do partido, Leonardo Vilela - que falava ao celular - e sentou à mesa.

Quinze minutos depois, o cunhado de Marconi, Sérgio Cardoso, entrou no salão, interrompeu o discurso de um deputado, pegou o microfone, pediu para aumentar o volume do som - que tocava o jingle do tempo novo, de 1998 -, solicitou que todos ficassem de pé, autorizou o foguetório e anunciou os nomes dos três deputados federais do PSDB, do presidente da Assembléia Legislativa, Jardel Sebba, do prefeito de Luziânia, Célio Silveira, e, por fim, de Marconi. O senador levou sete minutos para chegar ao salão porque entrou cumprimentando, tirando fotos e conversando com as pessoas.

Marconi abraçou todos os integrantes da mesa e deixou por último a senadora, cumprimentando-a secamente. Com um discurso firme, Lúcia acabou quebrando o gelo. "Respeito a trajetória de cada um no partido, desde o mais humilde que trabalha no último dos municípios até a liderança maior do nosso Estado, o senador Marconi Perillo", disse, dando alfinetadas: "Procuro ser independente sem ser arrogante".

Ela criticou o discurso do deputado Carlos Alberto Leréia, afirmando que "não constrói". "Alcides é o nosso governador, pedimos votos a ele. Devemos entender as dificuldades e temos obrigação de ajudá-lo. Não é hora de jogar pedras ou desmerecer um companheiro", disse, para emendar: "Obra de última hora não faz ganhar eleição. O que nos fará vitoriosos é a disposição de cada um".

Lúcia afirmou que não adianta pregar unidade sem trabalhar por ela. "Se queremos união, temos de dar o exemplo. Devemos ter paciência e entendimento e não achar que um é melhor que o outro", disse, recebendo aplausos. Enquanto Lúcia discursava, Marconi cochichava com Leonardo e dava risadas. Na hora de cumprimentar a senadora pelo discurso, o tucano deu um abraço caloroso e puxou as mãos da colega para erguer os braços e posar para os fotógrafos.

O tucano brincou ao falar da senadora: "Querida colega, companheira, amiga, com quem tenho 25 anos de convivência, com altos e baixos. Graças a Deus, mais altos do que baixos". E completou: "Não pode haver predominância da verdade única. É preciso respeitar a independência das idéias, que Lúcia exerce com altivez. Falo isso porque sou um democrata".

Questionada sobre a chegada de Marconi, a senadora afirmou que se a intenção foi provocar, "não passou recibo". "Minha vinda é um gesto de desprendimento porque acho que uma divergência pessoal não pode afetar o trabalho que devo fazer no interior."

 

Do artigo de Cileide Alves:

Lúcia Vânia abriu espaço na política goiana como nenhuma outra mulher. Ela iniciou sua carreira como tantas outras, ligada ao sobrenome do marido, mas, diferentemente da maioria delas, sobreviveu além do espaço conquistado pelo político da família. Lúcia construiu seu próprio lugar. Disputou todos os cargos que quis: deputado federal, governador (1994), prefeito de Goiânia (2000) e senador (2002). Ela conseguiu entrar num seleto grupo, o do poder político, já naturalmente reduzidíssimo e, por isso mesmo, muito disputado.

Os conflitos naturais da luta pelo poder ganharam, para ela, um complicador, pois a política é um meio predominantemente masculino. Se alguém duvida da presença deste ingrediente nesta atividade, basta ver a provocação do deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB) na reunião da Comissão de Orçamento. Na ânsia de defender Marconi, Leréia provocou: "A senhora é a senadora mais bonita de Goiás". Uma ironia incabível, que com certeza o deputado não faria mesmo se estivesse polemizando com o único senador homem do Estado.

Lúcia Vânia forjou-se politicamente nesse tipo de enfrentamento e isso sempre foi uma marca de sua carreira. Ela concorreu aos cargos, mesmo quando a cúpula de seu partido preferia outro candidato. Como em 2002, quando venceu Henrique Meirelles na disputa pela vaga de candidato a senador pelo PSDB. Detalhe: a candidatura fora prometida a Meirelles por ninguém menos que dois pesos-pesado, o então presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador Marconi.

O desentendimento da semana passada não foi o primeiro. Em junho os dois brigaram, literalmente, na liderança do PSDB no Senado. O senador é inquestionavelmente a principal liderança do PSDB goiano. É até mais: o partido foi montado à sua imagem e semelhança. Não é diferente com as bancadas federal e estadual tucanas, fiéis a Marconi, à exceção de Lúcia Vânia. Ela tem dito que é "senadora de Goiás e não a senadora de Marconi". "Quero ser independente sem ser arrogante", discursou ela, sábado, no encontro do partido em Goiatuba para um público formado por lideranças municipais dos partidos da base aliada, seus colegas parlamentares e o próprio Marconi.

Neste encontro, Lúcia se esforçou para quebrar o gelo. Deu seu recado, mas ressaltou a liderança de Marconi "a maior de nosso Estado". O senador retribuiu: "É preciso respeitar a independência das idéias, que Lúcia exerce com altivez". Apesar disso, o clima tenso do encontro refletia as dificuldades da senadora com seu partido. Não só Leréia saiu em seu encalço na semana passada. Também o presidente regional do PSDB, o deputado federal Leonardo Vilela, ameaçou tomar seu mandato na Justiça caso ela deixasse o partido.

Postado por Vassil Oliveira às 20:15 de 18/02/08.
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23/02/08 - Sábado

Iris e Marconi: estratégias idênticas

Três vezes Eduardo Horácio:

Iris e Marconi: estratégias idênticas

A julgar pelas articulações recentes do PSDB, tem-se a impressão que Marconi Perillo está, novamente, inspirando-se em seu "pai" político no partido vizinho (o prefeito de Goiânia, Iris Rezende). A estratégia de Iris começou em 2006.

(...)

Repetindo o que se escreveu aqui um ano atrás: quanto mais o PMDB se desmoraliza, mais Iris Rezende se apresenta como o antídoto moralizador. E Marconi Perillo? É exatamente esta receita que o tucano tenta agora aplicar na base de partidos que sustentou seu governo por oito anos.

(...)

Marconi acredita que, quanto mais a base aliada se desmoraliza, mais ele será o antídoto moralizador. Quando, no fim de 2006, Alcides apareceu como o elemento de oxigenação da base, Marconi começou sua estratégia para retomar sua força.

Portanto, eleitor, o fato de Iris e Marconi se encontrarem com bastante freqüência tem um fundo estratégico: um reforça no outro a idéia de adversário principal. O roteiro de ambos, até agora, está funcionando. O problema maior é saber se os adversários seguirão caindo em suas armadilhas, como até agora caíram.

Para ler a íntegra da análise, clique AQUI ou AQUI.

 

Marconi a caminho do isolamento

Quando a eleição de 2006 terminou com a vitória de Alcides Rodrigues (PP), uma das poucas certezas sobre a política goiana era a candidatura a governador de Marconi Perillo (PSDB) em 2010. O tucano, inclusive, apoiou Alcides com esse propósito: o pepista não poderia ser reeleito em 2010, o que facilitaria sua terceira candidatura pela base aliada.

Mais de um ano depois, o cenário é menos favorável a Marconi. Em vez de unir a base, ela se afastou de Marconi. Alcides, igualmente, não conseguiu segurar os partidos aliados. E uma ex-base, que poderia se dividir em dois grupos, deve agora caminhar ainda mais fragmentada.

O desgaste de Marconi começou em janeiro de 2007, quando forçou a eleição de Deivison Costa (então no PMDB) à presidência da Câmara de Vereadores apenas para impor um remédio amargo a Iris.

Para ler mais, clique AQUI ou AQUI.

 

Barbosa, abelhas e sacos de mel

O presidente da Agência Goiana de Turismo (Agetur), Barbosa Neto (PSB), oficializou a guerra com Raquel Teixeira (PSDB) pelo posto de candidato da base aliada na quarta-feira, 13. Em discurso no Palácio das Esmeraldas, o pré-candidato citou Shakespeare para atacar Raquel com a frase "Não é digno de saborear o mel aquele que se afasta da colméia por medo das picadas das abelhas." Ele faz referência, claro, à saída precoce de Raquel da Secretaria da Cidadania. Além de escolher um adversário, Barbosa disse indiretamente que a prefeitura de Goiânia é um "mel" a ser "saboreado". Dá a medida da vontade que ele tem de ser candidato.

Barbosa pode ser o candidato da base aliada? De toda ela, provavelmente não. De uma parte dela, tem boas chances. Afinal, é um candidato novo, tem propostas substantivas e é insistente. Já tentou pelo menos três vezes ser candidato, mas jamais conseguiu. Mas o que vai definir a candidatura de Barbosa é ele próprio.

Os aliados têm motivos para ver problemas em Barbosa. O principal é a falta de confiança que ele inspira.

Para ler mais, clique AQUI ou AQUI.

Postado por Vassil Oliveira às 17:58 de 23/02/08.
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23/02/08 - Sábado

As lições de Fidel para Marconi

Está no blog do Marcus Vinícius de Faria Felipe e merece atenção, porque é história pura:

Divergir e convergir são movimentos naturais da política. Assim como o mar quebra na praia, na política as ondas vão e vem. Num momento um é aliado, noutro adversário. Nada é estático. A marola é parte da paisagem.

As tempestades, no entanto, são prejudiciais. A arrebentação produz estragos, deixa marcas.

Na carreira política do senador Marconi Perillo (PSB), há muitas ondas, idas e vindas.

(...)

O fato é que a união de todos em 1998 foi a argamassa que cimentou a vitória. Hoje, no entanto, os personagens cruciais daquele evento não estão mais juntos.

Lúcia Vânia (PSDB) e Ronaldo Caiado (PFL/DEM) eram os cicerones de Marconi na campanha de 1998. Nos carros de som daquela campanha era comum a frase: "Marconi Perillo, nosso governador, que está ao lado de Lúcia e Caiado". O "desconhecido" candidato era apresentado a população e lideranças do Estado pelos oposicionistas históricos. Surgiu depois a idéia da camisa azul e o "moço da camisa azul" ficou mais visível ao lado dos líderes mais conhecidos.

A velha guarda do PDS e do PDC abria as portas das cidades para o candidato que tinha sido ungido como o nome das "oposições históricas". Marconi ganhou com o apoio de todos.

(...)

As desavenças com o presidente Lula, com Henrique Meirelles, Sandro Mabel, Samuel Almeida e, sobretudo, a rusga com o PMDB de Íris Rezende, Otoniel Machado, Adib Elias e Maguito Vilela acumulam a lista de adversários do ex-governador.

Fidel Castro, o mais longevo líder político da América Latina renunciou recentemente ao poder, após 49 longos anos à frente dos destinos de Cuba. O presidente Lula, que chamou Fidel de mito, seguiu à risca um conselho do sábio dirigente: "Nunca brigue com mais de um adversário por vez". À luz dos recentes acontecimentos, não seria ruim se o jovem senador lesse a última biografia do comandante em chefe escrita pelo jornalista Ignácio Ramonet "Biografia a Duas Vozes ( Editora Boitempo). Quem sabe ali não estejam conselhos valorosos sobre os meandros do poder.

Clique AQUI para ler na íntegra.

Postado por Vassil Oliveira às 11:16 de 23/02/08.
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24/02/08 - Domingo

PMDB senta na língua, governo se cala e Marconi vira oposição

O senador Marconi Perillo (PSDB) é hoje a única oposição em Goiás. Ele se opõe veladamente ao governo Alcides Rodrigues (PP) e se opõe em discurso ao PMDB do prefeito de Goiânia, Iris Rezende. Não quer dizer que seja uma oposição ideológica, porque isto não é. É oposição porque se coloca do outro lado, em posição oposta politicamente. Os marconistas têm razões objetivos para isso: a construção da volta ao poder em 2010.

São constantes nos últimos tempos os relatos de governistas - inclusive dos que se mostram marconistas - dando conta de ligações insistentes do cunhado de Marconi, Sérgio Cardoso, cobrando ou reclamando de interesse contrariado com voz firme. Basicamente ele diz: olha, Marconi vai voltar ao governo em 2010. Ameaça? Cada um entende de um jeito, embora praticamente todos concordem em um ponto: embora irritante, tudo não deixa de ser muito engraçado.

Na oposição, Marconi usa sua estrutura humana de apoio para ocupar espaços. Ocupa todos os espaços possíveis na imprensa e nos municípios. Nem casamento de vereador fica sem a presença de um marconista. A verdade a ser repetida mil vezes é esta: somos companheiros, queremos a união da base aliada, o 'tempo novo' não pode morrer e - cereja no sorvete - elegemos o governador, mas estamos sendo tratados por ele pior que inimigos.

A sutileza do argumento Marconi está nas entrelinhas de tudo que eles dizem. Eis o que diz, dia 20, o Boletim Informativo editado por assessoria no Senado:

Reunido com mais de dez partidos políticos de Cristalina, o senador Marconi Perillo voltou a aconselhar que todos se esforcem para unir forças em torno de interesses dos municípios, deixando de lado projetos pessoais. "Sem união, podem desistir", diz o senador. Marconi reafirmou a posição de "companheiro", mas alertou que a coordenação do processo eleitoral é do governador Alcides Rodrigues. "Contem comigo para tudo, mas não esperem que eu me intrometa na frente do nosso líder natural - companheiro que elegemos ao governo. Marconi lembrou ainda que o futuro de sucesso é condicionado à boa gestão política junto com a boa gestão administrativa. "Sem um dos dois, o resultado pode ser o desastre", finalizou.

Não é segredo para ninguém que a maior crítica dos marconistas a Alcides é de "má gestão", para dizer o mínimo. Dizem também que a responsabilidade da condução do processo eleitoral nos municípios é do governador, mas percorrem o município criticando duramente o próprio governador, como se torcendo contra. Por fim, a sentença que explica tudo: "Sem um dos dois (boa gestão administrativa e política), o resultado pode ser um desastre."

Ou seja: o desastre, "se" vier, terá sido culpa de má gestão administrativa e política. De quem? De quem conduz o processo. E quem conduz o processo? Ele, o "companheiro" Alcides Rodrigues. Quer ambiente mais perfeito para servir de justificativa para um possível rompimento formal depois das eleições?

O PMDB ajuda Marconi fechando a boca em uma estratégia que é inteligente na concepção, porém inepta na ação. Entendem os peemedebistas que, elogiando e não agindo como oposição a Alcides, empurram Marconi para o isolamento. De fato, Marconi se isola na oposição. Só que, ao ficar calado e deixar Marconi ocupar todos os espaços com suas teses e artimanhas, o partido de Iris perde o discurso e a razão política.

Em outras palavras: o PMDB está sentado na língua. O partido quer provar que não tem dono, que Iris não é dono da legenda, mas, ao negar isso e renegar a liderança ostensiva de Iris, age como barata tonta. Ruim com Iris? Pois a verdade é outra: pior sem Iris. Quando agia sob um comando único, o PMDB tinha um rumo; com tanta gente querendo mandar (porque é isto que se vê), o partido é um triturador desgovernado.

Convenhamos: o PMDB faz lembrar aquela famosa tirada de Millôr Fernandes sobre a diferença entre democracia e ditadura. "Ditadura é quando você manda em mim. Democracia é quando eu mando em você." Os democratas peemedebistas sonham mesmo é em ser o ditador da definição do humorista.

Resumo da ópera peemedebista: não há estratégia contra Marconi Perillo; há, sim, uma ação atrapalhada e um ódio acumulado que, em vez de servir para explodir o inimigo, implode as próprias bases. É um ódio paralisante. Melhor: ódio ou ópio?

A apatia do PMDB só não é menor que a do PP. O PP é outro que acumula ódio por atacado de Marconi e marconistas. E daí? Daí nada. Ódio ou ópio, questão de opinião. E o governador Alcides Rodrigues que se vire. Fica sem ter quem o defenda.

Para Alcides, a solução está em se virar. E vem se virando. Até agora, o governador optou por manter silêncio e não romper com Marconi. Mas isso poderá mudar caso a reforma administrativa se confirme e se confirme na mesma proporção que se ouve que terá: para cortar espaços de não-alcidistas.

É isto: para fazer o seu governo, Alcides terá de governar com alcidistas, e não mais com marconistas. Para começo de conversa, terá de quebrar a espinha dorsal dos marconistas no governo: tirar de postos-chave todos aqueles que são mais leais ao ex-governador do que a ele. Os marconistas aceitarão tudo calados? Aceitarão da mesma forma que têm aceitado: se debatendo e contestando.

Marconistas gritam cobrando que o governador rompa o silêncio - não é isto? Pois bem. O que parece claro: Alcides quebrar o silêncio significará romper com Marconi.

O rompimento formal, diga-se, está por um fio.

O que só reforça Marconi na oposição. Porque, voltando ao tema: se o PMDB está agachado esperando que a base acabe com Marconi, e o PP está agachado sonhando que o PMDB volte ao poder e acabe com Marconi, Marconi, enquanto isso, briga de pé. Está no ataque. Nessa história toda, une PP e PMDB uma leitura pragmática do cenário político de 2008: Henrique Meirelles vêm aí; e, contra ele, não há Marconi que resista. Será?

De fato, Meirelles é o único nome hoje, ao lado do de Iris, capaz de inspirar perspectiva de poder maior que o de Marconi. Mas, com tantos resultados positivos na economia brasileira, quem garante que Meirelles será candidato ao governo e não a presidente da República?

E ainda que ele seja candidato ao governo: se PP e PMDB o querem mesmo com eles para sepultar Marconi, terão de fazer a sua parte e minar as forças marconistas. Do contrário, Marconi terá tempo suficiente ou para criar asas para ser a única oposição inclusive a Meirelles, ou para se juntar a ele, apresentando como dote para um casamento político um exército muito maior e muito mais azeitado que os dos outros. Com foco nos resultados, que fará Meirelles?

PP, PMDB e todos os que querem a derrota ou o fim de Marconi agem como amadores. Ele, ao contrário, é profissional. Não foi ele quem disse que o inimigo de hoje pode ser o aliado de amanhã.

 

Para pensar:

  • PMDB e PP apanham calados de Marconi Perillo e/ou os marconistas.
  • Para Alcides, colar em Lula é a única alternativa para se fortalecer longe da sombra de Marconi Perillo, inclusive para enfrentá-lo. A avaliação é de governistas.
  • Durante o tempo em ficou em silêncio, Alcides juntou munição, para atirar ou para se defender. É o que se percebe. Por ora, no entanto, a munição não está sendo usada nem para uma coisa, nem para outra.
  • No PMDB são constantes as críticas a José Nelto e Thiago Peixoto. Os dois seriam marconistas disfarçados. Os dois, porém, são os únicos peemedebistas com um discurso armado.
  • E PTB de Jovair Arantes lava as mãos nesta eleição. Espera para ver no que tudo isso vai dar.
  • O PR de Sandro Mabel e do vice-governador, Ademir Menezes, age nos bastidores. É um partido tentando esconder o pulo do gato.
  • Era uma vez uma base aliada...
  • Todos falam no silêncio do governador Alcides Rodrigues. Silêncio mesmo sobre Goiás quem faz é o presidente
    do Banco Central, Henrique Meirelles.

 

(Publicado na Tribuna do Planalto em 24.02.08)

Postado por Vassil Oliveira às 00:01 de 24/02/08.
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25/02/08 - Segunda-feira

Curta-metragem

Ela chegou sorrateiramente, sentou-se ao meu lado e me saudou com um grande abraço nos olhos. Não disse nada. Puxou-me pelo colarinho - apenas com o forte olhar - e me deu o beijo gostoso de adeus que agora existe. Estava nua, bela, exuberante. Enquanto me beijava, ia comendo minha língua com a mesma volúpia da pedra atirada no leito de um lago, logo e ansiosamente, uma paisagem a mais. Anjo pleno de imaginação. O beijo durou até que a pouca luz da noite apareceu abruptamente.

Caí na outra ponta do meu corpo, com todo o barulho do mundo e tive vontade de morrer. Eu estava só.

Recomeço a andar. A noite esconde a minha sombra e não cala nunca a sua inquietude. Meus passos são anotados no chão, porém ficam para trás. Amarram as ruas desarrumadas para não perdê-los - elas, que nunca obedecem a ordem alguma. Os olhos perdidos procuram nas esquinas, e sob poucas luzes acesas dos postes, uma gente vive, enfim, para, ao menos, que se informem da minha existência.

Ora, ora, cadê o beijo de agora há pouco? Que foi feito de mim naquele banco daquele jeito naquela hora?

Saio da calçada com raiva, acelero os passos, incentivo a respiração.

 

(Publicado na Tribuna do Planalto em 24.02.08)

Postado por Vassil Oliveira às 12:28 de 25/02/08.
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25/02/08 - Segunda-feira

Poesia, vejam só...

Farra de poeta

Beija as estrelas, poeta,
que elas se entregam a ti.
Beija as pontas das estrelas,
poeta solitário,
para amenizar tua volúpia.
Beija teus próprios lábios,
poeta triste,
deixa baixar a poeira
que se arvora da tua
imaginação.
Vai no descompasso - esquece o chão.
Poeta,
quem
premedita o coração?

 


Salut!

Esqueçamos as coisas estúpidas
em nome da beleza
de um abraço.
O preço de tudo,
a graça,
quem estabelece é o coração.
Fique a vida moderna
com suas complicações de última degeneração.
Nascemos uma vez, vamos nascer de novo.
O céu é o inferno!
A glória é não saber. Glória de Deus!
Melhor que o beijo
é o beijo repetido: chuac! nietzsche!
A proposta é esta:
os poemas difíceis, ignoramos;
os outros, escrevemos juntos.
E a vida que nos acompanhe,
com festa.
Eu levo nos olhos
champanhe! 

 

(Publicado na Tribuna do Planalto em 24.02.08)

Postado por Vassil Oliveira às 21:30 de 25/02/08.
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23/02/08 - Sábado

Três pontos

Reforma está pronta
Uma reforma sempre pressupõe tocar em interesses, principlmente em contrariá-los. Há disposição para isso? Eis a questão que sempre surge. No caso do governo estadual, o clima hoje é de que há, sim. A reforma está definida e virá - custe o que custar. Em termos políticos, claro. Isso significa que a crise atual pode ser apenas aceno de outra, muito maior, que se verá, porque o governo buscará cara própria. A disposição palaciana, principalmente depois do encontro tucano de Goiatuba, é de que não há o que temer, muito menos o que ser evitado.

 

A lista é longa 1

Além dos nomes citados na análise da semana passada (Marconi elege seus inimigos), muitos outros foram lembrados. O principal deles: o presidente do DEM, Ronaldo Caiado.

Bem, no caso de Caiado, o confronto não é novo, daí nem ter constado da análise. O detalhe em relação a Caiado é que o confronto entre ele e Marconi é aberto, assumido.

Há muitos outros ainda na lista, mas que evitam dizer o nome.

 

A lista é longa 2

Sim, e é necessário acrescentar à lista de inimigos que Marconi Perillo elegeu, ninguém menos que o presidente Lula. Sem falar em José Dirceu e Delúbio Soares. Aliás, o PT praticamente inteiro.

 

(Publicado na Tribuna do Planalto em 24.02.08)

Postado por Vassil Oliveira às 13:36 de 23/02/08.
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23/02/08 - Sábado

Lúcia X Marconi: a guerra continua

O senador Marconi Perillo (PSDB) devia ouvir as próprias palavras. Ele diz coisas hoje, em entrevistas exclusivas ao Diário da Manhã e a O Popular, direcionadas à senadora tucana Lúcia Vânia, que servem muito bem para ele próprio refletir.

Eis um pouco do que ele diz, com algumas observações. E, diga-se, observações humildes:

 

"Muitas vezes, a senadora deixa de reconhecer o que as pessoas fazem por ela."

E ele, em relação a 1998? Reconhece que só foi eleito porque tinha uma base (Lúcia, Ronaldo Caiado, Nion Albernaz, Roberto Balestra, Alciedes Rodrigues, Pedrinho Abrão...) ajudando-o, ou vai manter o discurso de que elegeu-se por obra e graça dele próprio?

"Sempre fui humilde. Por isso fui recebido e bem acolhido pelos partidos da base aliada, por deputados estaduais, federais, prefeitos, vereadores em todos os cantos de Goiás."

Marconi, humilde? Como pontuou Eduardo Horácio em seu blog, quem é humilde não faz propaganda disso. Mas insisto: você aí, que conhece o senador, acha também que ele é humilde?

"Nas eleições de 2004 (NOTA: na verdade, 2002), todos devem se lembrar, havia uma possibilidade de disputa na convenção do PSDB entre Lúcia Vânia e Henrique Meirelles pela vaga de candidato ao Senado. Sempre valorizando o trabalho de Lúcia, pelo fato de ser mulher, chegamos a um entendimento com Meirrelles, e ele aceitou ser candidato à Câmara. Nos dedicamos de corpo e alma à eleição de Lúcia."

Quem não é devoto de Marconi e acompanhou a eleição de 2002 sabe que Lúcia só foi candidata porque se impôs. Essa história de "valorizando o trabalho de Lúcia, pelo fato de ser mulher, chegamos a um entendimento..." é furada. Nos bastidores, o que os marconistas diziam de Lúcia era e é impublicável - e por ser mulher!

"Lúcia Vânia tem o direito legítimo de postular a reeleição. O PSDB reconhece isso. O problema não é esse. Talvez seja o fato de ela querer estar em um partido da base aliada, para apoiar o governo Lula. A única motivação possível é essa."

Responda rápido: o que Marconi teme mais: a aproximação de Lúcia com Lula ou com Meirelles?

"Vamos fazer uma reunião da executiva do partido na segunda-feira e reafirmar nosso compromisso com o governo Alcides. Torcemos que o governo seja efetivamente produtivo e possa cumprir todos os compromissos. Torcemos com sinceridade."

Bem, sobre este ponto recomendo a leitura da reportagem de Eduardo Sartorato na Tribuna do Planalto desta semana: "Ninguém defende Alcides. Nem o PP".

"Como o deputado Jovair disse, quem causa intriga neste governo são os sem voto, os chamados 'Luas pretas'."

Tá bom. O marconismo de carteirinha é formado por o quê?

 

O que está aí foi dito por Marconi ao Diário da Manhã (clique AQUI para ler toda a entrevista, com acesso livre). Eis alguns pontos do que ele disse ao O Popular (só para assinantes):

"Na direção do partido em Goiás estão contempladas todas as forças que elegeram a mim e Lúcia Vânia. Todos os prefeitos do PSDB estão no diretório, todos os deputados federais, estaduais, os senadores, os ex-presidentes do partido. Portanto, o diretório do PSDB é o retrato do partido em Goiás. Há a presença de ex-prefeitos, vereadores. Essa é a base do PSDB, que nos apoiou. Não há nenhum motivo para reclamação."

Alguém tem dúvida de que o PSDB é absolutamente e essencialmente marconista, estruturado à sua imagem e semelhança? E que é ele quem dá a última palavra? Basta ver a nota do partido: é, na fundo, uma defesa de Marconi.

"Algumas vezes somos infelizes em determinadas declarações."

Sem comentários.

"Então eu espero que esse assunto seja dado por encerrado e que não se busque nenhuma motivação, nenhuma desculpa para ela deixar o partido."

Eis uma estratégia recorrente de Marconi nos últimos tempos: provoca uma confusão, alimenta o debate, fala o que quer, ocupa todos os espaços e aí, quando quer estabelecer que deu a última palavra, dá o assunto por encerrado.

"Eu sempre fui humilde, por isso que eu sou tão bem acolhido pelos partidos da base aliada, por deputados estaduais, federais, prefeitos, vereadores, ex-prefeitos, de todos os cantos de Goiás."

Peraí: mas essa frase não está igualzinha a que saiu no Diário da Manhã e que está reproduzida aí atrás?

"Não, essa coisa de candidatura à reeleição, na minha opinião, é natural. Ela é senadora e tem o direito legítimo de postular a reeleição. Eu não vejo nenhum problema em relação a isso. Talvez seja o fato de ela querer estar num partido da base aliada, para apoiar o governo Lula, e não ficar na oposição, como nós estamos. É a única motivação verdadeira que pode estar acontecendo."

Vale a pena repetir a pergunta: o que Marconi teme mais: a aproximação de Lúcia com Lula ou com Meirelles?

"Eu acho que o governo irá priorizar os programas sociais. Esse foi o compromisso primeiro do então vice-governador Alcides Rodrigues comigo, antes de assumir o governo e durante o processo de apoio do PSDB a sua candidatura a governador. Essa foi, ou melhor, nem precisou ser uma pré-condição nossa porque ele afirmou categoricamente a mim que havia duas coisas das quais ele jamais se distanciaria, que procuraria, sob pena de qualquer sanção, jamais deixar de observar: o pagamento rigorosamente em dia dos funcionários públicos e sua conseqüente valorização, e a continuidade do pagamento em dia dos programas sociais. Esses foram os compromissos."

Êpa! Ele disse "compromisso primeiro do então vice-governador Alcides Rodrigues COMIGO"? Ué, mas o compromisso de um governador é com o ex? Não é com o povo? Então é isso: Alcides Rodrigues está no governo para cumprir compromissos assumidos com Marconi? Vejam só...

"Eu vivi quase oito anos de governo em meio a muitas dificuldades financeiras. Trabalhei 24 horas pra vencer essas dificuldades assim como o governador Alcides está fazendo hoje. Dificuldades financeiras momentâneas existem. (...) Estamos agora colhendo os frutos e o aumento da arrecadação é muito expressivo. Com isso o governador terá condições de cumprir seus compromissos."

Ou seja: essa história de herança maldita é coisa que os alcidistas inventaram, e estamos conversados!

 

No mais, dois registros:

1) é impressionante como o senador estava bem articulado para falar. Tanto que falou praticamente a mesma coisa nas duas entrevistas. Há frases, se não idênticas, quase iguais.

2) louve-se o senso de ocupação de espaço do senador. Cutucado, ele vai para o ataque. E tratora. E não encontra dificuldade para falar o que quer, como quer, na hora em que quer. Isso, repito, merece elogios. Cadê os adversários que nada fazem?

Postado por Vassil Oliveira às 18:46 de 23/02/08.
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25/02/08 - Segunda-feira

Mabel em alta

Está na coluna Radar, da revista Veja desta semana:

Disputa na largada

A reforma tributária nem bem chegou à Câmara e já corre solta uma briga pelo cargo de relator. O governo quer Antônio Palocci na função. Líderes de alguns partidos pressionam por Sandro Mabel.

Postado por Vassil Oliveira às 09:14 de 25/02/08.
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25/02/08 - Segunda-feira

Se acha!

Revista Veja desta semana, na página de frases (Veja Essa):

"O senador fez cesariana, tirou o rei da barriga."

Piada sobre a internação do senador Aloizio Mercadante (PT-SP)

 

Fico pensando:

Qual integrante da política de Goiás deve urgentemente fazer uma cesariana por motivo igual ao de Mercadante?

Postado por Vassil Oliveira às 06:01 de 25/02/08.
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24/02/08 - Domingo

Duas vezes Afonso

Seja pela análise, seja pelo texto elegante e fluente, sempre vale a pena ler Afonso Lopes no Jornal Opção. Aliás, melhor é dizer obrigatório. O que há dele esta semana (apenas parte das análises):

Raquel Teixeira - O grande contraponto

O que a deputada federal Raquel Teixeira, do PSDB, tem que os demais pré-candidatos da base aliada não têm? Uma porção de características. Não apenas em relação aos seus concorrentes de trincheira como também em relação ao provável grande adversário, o prefeito Iris Rezende Machado.

A começar pelo gênero. Ela é mulher. Aliás, a única mulher que deseja se lançar na disputa dentro da órbita dos partidos da base aliada (comenta-se que, como parte de uma estratégia permanente, a deputada estadual Isaura Lemos, do PDT, mais uma vez concorra à eleição). É óbvio que essa diferença salta aos olhos instantaneamente. Mas existem outras características que fazem da tucana peça única dentro do xadrez que se monta em Goiânia.

Nada disso, no entanto, nem como análise, serve para alguma coisa se uma pergunta não for respondida de cara: Raquel é ou não é candidata? É.

PP/PSDB - Ainda tem conserto?

É quase impossível ocorrer uma reaproximação entre o PP e o PSDB. Pelo menos, não nos mesmos níveis de relacionamento que existiam antes, quando os dois partidos, hoje os maiores da chamada base aliada, formaram um pacto que se tornou embrião vitorioso em 1996, passando pela histórica eleição de 1998, atingindo o ápice em 2002 e, aparentemente, encerrando após o segundo turno de 2006. Desde o final do segundo turno, quando o PMDB reencontrou a derrota, PP e PSDB não se falam mais de maneira amistosa, leal.

Coube aos tucanos atirar a primeira pedra. (...)

O que levou à tamanha crise? Difícil saber, mas até onde é possível perceber, o grande problema foi a permanente falta de diálogo entre Alcides Rodrigues e Marconi Perillo.

 

Para os dois textos na íntegra, vá direto à página do Jornal Opção.

Postado por Vassil Oliveira às 23:58 de 24/02/08.
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29/02/08 - Sexta-feira

São os fatos

Do Blog do Noblat, hoje (texto enviado por Diego Amorim):

1)

Surpresa: agora o gabinete é do Perillo

Os funcionários do gabinete do senador Jonas Pinheiro (DEM-MT), que morreu no último dia 19, voltaram ao trabalho depois de três dias de luto e levaram um susto.

Na segunda-feira, se depararam com o nome do senador Marconi Perillo (PSDB-GO), e não com o de Gilberto Goellner (DEM-MT), suplente de Jonas, na placa de identificação afixada na porta do gabinete onde trabalhavam.

Sob a prerrogativa de ser ex-governador de Estado, Perillo conseguiu trocar seu apertado gabinete pelo amplo e confortável espaço que era de Jonas.

A mudança foi orquestrada nos dias de luto e, por isso, encarada pelos funcionários do agora senador Goellner como "invasão" e "falta de respeito". Eles não concordaram em ficar com o gabinete de Perillo.

Conversa vai, conversa vem, conseguiram o espaço onde funcionava a Diretoria-Geral Adjunta do Senado, que, por sua vez, teve que se contentar com a ex-sala de Perillo.

(para ler no blog, AQUI).

 

2)

Em O Popular, coluna Giro, hoje:

Espaço - O comentário ontem no Senado era o novo e amplo gabinete do tucano Marconi Perillo que ele passou a ocupar nesta semana. Pertencia ao ex-colega Jonas Pinheiro (DEM-MT), falecido há dez dias.

 

3)

Coluna Painel, da Folha de S.Paulo, ontem:

Passo em falso. Tão logo o PMDB abriu mão da presidência da CPI dos Cartões Corporativos em favor do PSDB, Marconi Perillo (GO) anunciou que seria ele o escolhido. Chegou a marcar reunião noturna em sua casa. Diante da preferência geral por Marisa Serrano (MS), tratou de difundir a versão de que recusara o convite.

Caído. O líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), quer indicar Demóstenes Torres (GO) como ponta-de-lança do partido na CPI. Veterano de outras comissões, Torres não manifestou nenhum entusiasmo com a comissão, que, em sua opinião, "não vai investigar nada". 

Postado por Vassil Oliveira às 23:18 de 29/02/08.
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25/02/08 - Segunda-feira

Sem surpresa: Iris é o líder em Goiânia

Na pesquisa Serpes publicada hoje em O Popular, dois pontos apenas chamam a atenção:

1 - No levantamento por região, o prefeito Iris Rezende aparece melhor nas regiões Central (51%) e Oeste (50%), o qué dá o que pensar: onde ele teoricamente era fraco, no centro e nos bairros de classe média, está mais forte?

2 - Segundo o texto de apresentação da pesquisa, "depois da saúde (59,7%), a segurança pública é o tema que mais preocupa, com 39,5%, seguida por educação (28,8%), emprego (23%) e transporte urbano (16,5%)." Ainda segundo o texto, "moradia e a pavimentação urbana, motes da gestão de Iris Rezende (PMDB), aparecem, respectivamente, com 11% e 3,8%". Ou seja: asfalto e moradia não serão o forte da campanha. É isso?

Para entender melhor estes pontos, seria preciso ter acesso a mais dados da pesquisa.

Veja, a seguir, um resumo do resultado do levantamento do Serpes, em texto de apresentação de Carlos Eduardo Reche (o texto completo, com gráfico, só para assinantes):

Com 46,7% das intenções de voto, o prefeito Iris Rezende (PMDB) lidera a primeira pesquisa Serpes/O POPULAR de 2008 sobre a sucessão ao Paço Municipal, realizada entre os dias 19 e 22 (veja quadro). Os três principais candidatos da base aliada estadual aparecem embolados na segunda posição: o deputado federal Sandes Júnior (PP) obteve 11,2% das citações, o presidente da Agetur, Barbosa Neto (PSB), tem 8,2% e a deputada federal Raquel Teixeira (PSDB), 7,5%. O primeiro turno da disputa para a Prefeitura é em 5 de outubro.

Os outros 12 pré-candidatos também aparecem tecnicamente empatados nas últimas posições, oscilando entre 2,7% e 0,2% das intenções de voto. Segundo o levantamento, 8,2% dos entrevistados não sabem em quem votar para prefeito da capital, 5,7% afirmaram que votariam em branco ou nulo e 0,5%, que não escolheriam nenhum dos 16 postulantes da pré-campanha ao Paço. A pesquisa ouviu 600 eleitores de 30 bairros de Goiânia. A margem máxima de erro é de 4 pontos porcentuais, para mais ou para menos.

A pesquisa Serpes/O POPULAR também confrontou Iris diretamente, em aferições separadas, com cada um dos três principais pré-candidatos da base do governador Alcides Rodrigues (PP). Os números mostram que Barbosa, Sandes e Raquel obtiveram índices semelhantes. No confronto com Sandes, o prefeito obteve 61,8% das intenções, ante 19,3% do pepista. Quando o adversário é o presidente da Agetur, Iris aparece com o 62,3% e o socialista, com 18,7%. Na disputa com a deputada tucana, ela obtém 16,3% e Iris, 65,3%. As diferenças entre os candidatos aliados no confronto com o prefeito estão dentro da margem de erro.

O deputado estadual Humberto Aidar aparece com o melhor índice entre os três pré-candidatos do PT a prefeito de Goiânia. Tem 2,7% das intenções de voto, diante de 1% obtido pela vereadora Marina Sant'Anna e 0,2% pelo também deputado estadual Mauro Rubem. Os deputados federais Sandro Mabel (PR) e Jovair Arantes (PTB) têm, respectivamente, 2,2% e 1,5%, a deputada estadual Isaura Lemos (PDT) obtém 1,3% e o ex-deputado federal Vilmar Rocha (DEM), 1,2%. Os demais pré-candidatos não atingiram 1% das indicações.

Postado por Vassil Oliveira às 13:02 de 25/02/08.
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