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Arquivo Mensal - Maio/2009 26/05/09 - Terça-feira FIM DA BASE ALIADA? NÃO É DE HOJE QUE Os tempos são outros em Goiás Eis ensaio publicado na Tribuna do Planalto dia 11 de novembro de 2007 (acesso direto AQUI), depois reproduzido aqui no blog, as duas vezes com o título OS TEMPOS SÃO OUTROS EM GOIÁS, e esta chamada: Reforma destrói mito do governo perfeito de Marconi Perillo e sepulta a aliança de uma base que nunca mais será a mesma O chamado "Tempo Novo" já tinha acabado. Estava morto. Agora está morto e sepultado, com o anúncio da reforma administrativa do governo Alcides Rodrigues (PP). A reforma coloca em xeque os dois governos de Marconi Perillo (PSDB), de quem Alcides foi vice até o ano passado. Mais: desconstrói o mito de governo marconista revolucionário. Chega também ao último suspiro em Goiás uma era de disputas políticas polarizadas por dois grupos: o formado pela atual base aliada governista e o puxado pelo PMDB do prefeito de Goiânia, Iris Rezende. É o fim da história para um campeonato de clássico único: Iris x Marconi. Depois da ditadura e antes de 1998, reinaram no Estado os peemedebistas. De lá para cá, os aliados - PSDB, DEM, PP e PTB, mais o PR, que em certa estratégica hora mudou de lado - é que têm dado as cartas. No futuro, os grupos fatalmente serão outros, porque outros são os interesses em jogo. A nova configuração de forças não está fechada. Está em formação. E não há ideologia que lhe dê razão. Há objetivos. Há vontade de poder. Há perspectiva de poder para todos os lados. A reforma do ex-vice sepulta a unidade como ela tem-se mantido, porque consolida a idéia de herança maldita deixada pelo tucano, e porque recrudesce de vez, ainda que na resistência dos bastidores, uma disputa não mais surda e muda entre alcidistas e marconistas. Muitos anseiam pela liderança de Marconi; porém muitos outros a renegam. Fato que soma à perspectiva natural de poder em 2010 o fator resistência a um novo mandato para o ex-governador é a sanha pelo que se terá: uma vaga para o governo, duas para o Senado e 17 cadeiras na Câmara dos Deputados. A divisão de forças aliadas já não é mais negada nem nas declarações oficiais. No máximo, tenta-se inutilmente omitir a guerra interna. E o que parecia inimaginável, torna-se viável. Os inimigos podem ser novos amigos. Há semanas o presidente Lula defende abertamente a aliança, no Estado, entre o seu PT, o PP e o PMDB. E ela não é renegada por nenhuma das partes. Basta uma conversa reservada com os líderes de ponta dessas legendas para se perceber que um linha, além da vontade do presidente, os une: a possibilidade de derrotar ou ao menos refrear o apetite por poder de Marconi Perillo. Iris já foi Marconi Em um passado distante, Iris Rezende inspirava sentimento parecido, de amor e ódio, em igual intensidade. Foi derrotado pelo jovem Marconi Perillo, escolhido candidato quase por exclusão, no entanto sustentado por uma aliança política que só não era inédita porque, dois anos antes, tinha feito prefeito o tucano Nion Albernaz, e que se provaria alicerce eficaz para qualquer nome, desde que unida. Hoje, Iris navega sem o ranço de outrora em um partido que não está mais cego pelo poder. É o oposto do que era, assim como Marconi. E o PMDB tem mais a ganhar do que a perder. Para 2010 é mais fácil imaginar PMDB e PR juntos do que PSDB e PR amarrados. Não é segredo para ninguém a aversão do presidente republicano, deputado federal Sandro Mabel, pelo ex-colega tucano, que o colocou no centro do mensalão em nome de uma ética que não titubeou, pouco antes, em cooptar prefeitos de um partido aliado, o DEM, apenas para que fosse marcada posição imperial de um governante contra o seu presidente, o deputado federal Ronaldo Caiado. Pura reafirmação de força e de poder. E o que esperar de um aliado que, inesperadamente, manda para Aparecida de Goiânia, onde o PR (de Mabel, mas também do vice-governador, Ademir Menezes, e do prefeito, José Macedo) tem hegemonia, um de seus principais seguidores obedientíssimos, complicando uma aliança que, em tese, nem deveria ser posta em questão? Não foi o que fez este ano o PSDB, com a mudança de domicílio eleitoral do deputado estadual Daniel Goulart, que até há pouco mal tinha andado por uma rua da cidade? Por quê? Pode-se argumentar que o PR vive um nó político, pelo desejo de aproximação de Mabel com Iris, ao mesmo tempo em que o PMDB prepara a candidatura do ex-senador Maguito Vilela contra José Macedo, porém o nó é mais um fator a alimentar as especulações que distanciam o PR do PSDB do que o contrário. Assim como a reaproximação do DEM de Ronaldo Caiado e do senador Demóstenes Torres com a base aliada mais se firma no distanciamento dos tucanos, porque fundada na boa relação com Alcides, do que o contrário. Caiado sonha em governar Goiás. Demóstenes quer a reeleição. E com outra coisa não sonha o PR, que, lembremos, tem o vice, que pode em tese assumir o governo nos últimos nove meses e tentar a reeleição, a exemplo de Alcides no ano passado. Sonho por sonho, o PP já deixou claro que quer se manter no poder - eleger o sucessor de Alcides, e/ou Alcides senador, e quantos deputados for possível (, e prevalece a avaliação interna de que isso só se dará com o PSDB de coadjuvante, jamais na cabeça de uma chapa. Outro governo tucano com o PP de estepe? Fale isso para o pepista. Veja a reação. As pretensões do PTB são menores. O seu presidente, o deputado federal Jovair Arantes, diz que quer a Prefeitura de Goiânia. Entretanto faz pouco para consegui-la. E de que lado ficaria Jovair em caso de choque entre PP e PSDB? A forte ligação dele com Marconi talvez seja a resposta. Ou já foi maior esta ligação? Que se diga que o PTB é uma das opções tidas como preferenciais do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para uma possível disputa dele pelo governo estadual em 2010. Sim, o PTB, o PR, o PMDB... Fator agregador Eis aí: Meirelles é hoje o maior fator possível de aglutinação política em Goiás. O que Iris não é, e Marconi menos ainda. Meirelles está sem partido. Pode escolher à vontade. Dos maiores, todos o aceitam, quando não o desejam ansiosamente, como os supracitados. E que entre na relação dos desejosos o PP. Longe de ter sido fato ou ato isolado de política de boa vizinhança, no primeiro semestre Meirelles foi um dos comensais de Alcides no Palácio das Esmeraldas, em um jantar que rendeu ajuda providencial do presidente do BC ao logo depois confirmado secretário da Fazenda, Jorcelino Braga, naturalmente presente à mesa. Partidos menores, que gravitam em torno do poder ou de legendas consideradas mães, igualmente sonham, igualmente planejam e igualmente estão aptos a acordos que atendam aos seus interesses. O PSB espera por Meirelles, mais para apoiar, porque Meirelles é um dos apoiadores informais de seu presidente, Barbosa Neto, que, por ora, é auxiliar de primeiro escalão do governo Alcides. O PPS é poder. Tem sido assim. E está bem estabelecido com sua presidente, Linda Monteiro, à frente de uma agência do Estado. Barbosa e Linda são outros que não admitem em público, mas que nos bastidores revelam guardar más lembranças da convivência política com Marconi. E com Iris, é certo, eles que foram tão ligados ao prefeito antes de romper e se entender com o então oposto político. E o que poderia ser uma alternativa a tudo e a todos, está mais longe disso: o PT tem projeto de poder para o ano que vem, em Goiânia, e para o governo, em 2010; tem também a recorrente lembrança de que já governou a capital goiana duas vezes, com Darci Accorsi e Pedro Wilson. Só não tem nome. Darci, sem mandato, está em outra... legenda. Pedro Wilson, eleito deputado federal, está recolhido a projetos maiores, como salvar o mundo na árdua defesa do meio ambiente. O PT, que já foi alternativa de aliança para o PSDB em Goiás, é hoje adversário. Conversa com o PMDB, que tanto combateu no passado, e até com o PP, um partido convicto de direita. O PT não é mais aquele. O PT precisa primeiro se reencontrar. Eis um esboço da nova ordem das alianças desenhadas no Estado. O jogo nunca esteve tão aberto, com campo tão livre para todos os times. Eis, pois, uma explicação razoável para a falta de oposição no Estado. Opor-se a quem se todos podem ser aliados, se é que já não são? O que virá Para re-unir a base aliada, só outra abstinência de poder, como a que resultou nas vitórias precursoras de 96 e 98; só outra confluência vital de interesses que fosse dar em um novo 'Marconi'. Um "novo", que inspirasse verdadeiramente um tempo novo - ainda que este se cumprisse unicamente no governo das palavras. Nesta nova ordem é inegável, porém, que este Marconi terá participação destacada, a seu modo. Terá a experiência de dois mandatos como governador, um exército considerável de seguidores e um rosto e um nome conhecidos em todos os 246 municípios do Estado. Capital político invejável. Justo por isso ele tanto atraia quanto desagregue. Tanto inspire amor quanto resistência. Nesta nova ordem, ignorar a força potencial de Marconi Perillo será um erro fatal para quem quer que seja, assim como o papel de um Iris maduro para ser candidato ou líder em ação. Irreversível o fim do chamado Tempo Novo. Irreversível a possibilidade de reestruturação do PMDB em um bloco coeso em 2010 (voltando ao tempo de temível máquina de campanha, como não conseguiu ser com Maguito Vilela candidato ao governo em 2002 e 2006). Irreversível a nova ordem. O que não quer dizer que não veremos nova polarização de poder no Estado. Mais certo é que se volte a ter duas forças opostas. Que forças serão estas, como elas estarão formadas, é que são elas. É isto que se vê em formação. E que definirá o destino de Goiás. Para registro: as mudanças propostas por Alcides, ruins para Marconi, não deixam de ser boas para Iris, em pleno vigor da inauguração de obras. Ele está fortalecido no discurso contra o ´Tempo Novo` que o sucedeu. Este tempo, depois da ajuda alcidista, ele poderá muito bem definir como um tempo fracassado, ou, no mínimo, desastrado. Discurso na ponta da língua. Por fim: as mudanças mostram Alcides preocupado consigo, com o seu legado. Não há defesa de projeto político difuso, e sim a edificação de uma herança própria como governador. Alcides escreve a sua história. E mais: O fim do 'tempo novo'. E faz tempo O fim do 'tempo novo'. E faz tempo 2 A base e a 'Era da desconfiança' Aparecida & Goiânia: Iris elege Maguito, Maguito elege Iris
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