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Categoria: Poesia

18/11/08 - Terça-feira
Lá vem poesia...

postado na categoria Poesia

Anti-filósofo

Não levo mais em mim
o sem sentido.
Recuso as filosofias estranhas.
Não há por que conter
o coração.
Tudo que busco
vem me encontrar.
É tempo de ser feliz.
Nada de ser original.
De não ser,
passou.

***

Tenho todas as respostas que procuro

Tenho todas as respostas que procuro.
Em mim, o Universo.
Falo com Deus quando quero.
Se tropeço nos dias
é porque espero.
O que salva o coração enfermo
é a alma que se enleva
com as coisas.
Chora em mim a vida.
Todas as vidas conheço.
Por morrê-las
e por vivê-las, embora.  

Postado por Vassil Oliveira em 18/11/08 às 00:00.
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29/08/08 - Sexta-feira
Sempre que olha para as mãos...

postado na categoria Poesia

Salomão Sousa é felizmente poeta.

Salomão Sousa é o meu poeta preferido.

Mestre, amigo, Salomão faz versos com a ponta dos dedos. Toca a mente, toca o coração, ensina, emociona, toca como violeiro, os olhos.

Eis alguns versos, lá de seu blog (o endereço está aí ao lado; para ir direto ao poema, cliqu AQUI).

Mais que ler, ouça.

***

Sempre que olha para as mãos
e elas se oferecem limpas
a borduna lhe apetece
e mais lhe apetece
quando o repouso de um homem
oferece-lhe o beijo na face

Pediu-me para segurá-la
Se é mansa a oração
e brilha quieta
a estrela no universo
pede-me a borduna
o inimigo ao desabrigo
de uma paz que o anime

Não pede o gesto que o aqueça
Não pede a abertura da trilha
ou o ajeito de uma telha
Pede-me a borduna
de arrancar a marca de sangue
que o satisfaça em seu abrigo

Para a paz do inimigo
ofereço o sangue de animar a festa

Postado por Vassil Oliveira em 29/08/08 às 23:55.
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25/02/08 - Segunda-feira
Poesia, vejam só...

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Farra de poeta

Beija as estrelas, poeta,
que elas se entregam a ti.
Beija as pontas das estrelas,
poeta solitário,
para amenizar tua volúpia.
Beija teus próprios lábios,
poeta triste,
deixa baixar a poeira
que se arvora da tua
imaginação.
Vai no descompasso - esquece o chão.
Poeta,
quem
premedita o coração?

 


Salut!

Esqueçamos as coisas estúpidas
em nome da beleza
de um abraço.
O preço de tudo,
a graça,
quem estabelece é o coração.
Fique a vida moderna
com suas complicações de última degeneração.
Nascemos uma vez, vamos nascer de novo.
O céu é o inferno!
A glória é não saber. Glória de Deus!
Melhor que o beijo
é o beijo repetido: chuac! nietzsche!
A proposta é esta:
os poemas difíceis, ignoramos;
os outros, escrevemos juntos.
E a vida que nos acompanhe,
com festa.
Eu levo nos olhos
champanhe! 

 

(Publicado na Tribuna do Planalto em 24.02.08)

Postado por Vassil Oliveira em 25/02/08 às 21:30.
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10/02/08 - Domingo
Poesia pra quê? Ué, por que não?!

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Poema racional

Um poeta
não vive em vão.
Basta um vôo
para não querer pousar.
E, se pousa,
já vem em despedida.
Perde a vida
se escapa a ilusão.
Todos os poetas
                         vãos... 


Diálogo com os pássaros

As palavras, como os pássaros,
ou pousam porque se cansam
ou voam porque se encantam.
Eu?
Eu ouço dizer. E falo por falar.
Ou vôo porque me pousam,
ou pouso porque me vão.
Eu!
 

Ser só coração

É tempo de vãos humanos,
de guardar os poemas elaborados
e dar voz à emoção.
Seria triste não ter um poema
se no peito passa coração.
Da vida tenho o que me basta:
solidão e um ponto de partida.
O que me falta
é paz
ciência
e uma rima pra viver.
Em todos os sentidos,
sou o que não sou,
louco buscando enlouque
                                     ser. 

 

Dizem por aí

Dizem que sou isto.
Não sou.
Querem que seja outro ainda.
Impossível.
Levantam hipóteses.
Como ser se já sou
o que sou como de fato infinito sou
(até mesmo o que se diz)?
Pra quem olha pra saber,
sou o que não condiz.
Isto, ninguém vê!

 

Poema bélico

Assumo que não sei quem sou
(qual a novidade?),
o que quero
(qual?)
e muito menos o que posso.
Assumo que estou perdido,
triste,
desassossegado.
Assumo para respirar.
Até agora tive de ser o que não sou,
dar o que não tenho,
rir com os dentes que não tinha ao nascer.
O que querem? A minha vida?
Levem-na daqui,
mas arquem com as conseqüências!
Deixem-me em paz
com minha guerra interior.
Nesta, estou sozinho.
Sou meu único aliado.
E meu único inimigo.

 

(Publicado na Tribuna do Planalto de 10.02.2008 - AQUI)

Postado por Vassil Oliveira em 10/02/08 às 18:12.
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