
25/02/2010
Cegueira ou malandragem?
Abaixo, artigo do Altino Barros, para reflexão:
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Tenho lido muita bobagem sobre a inoportuna e inócua proposta de criação de uma CPI do Déficit, maquiavelicamente planejada pelos tucanos para confundir a população em ano eleitoral. Apaixonados defensores da CPI não têm argumentos que se sustentem em fatos e números. Utilizam este precioso espaço democrático do Diário da Manhã para levantarem a bandeira da falsa moral, do cinismo e da desfaçatez. O objetivo eles não escondem: tapear a população, passando-se por desinformados quanto à prestação de contas do Estado – via Secretaria da Fazenda – à Assembléia Legislativa e ao TCE.
Para bom entendedor, para bom observador da cena política goiana, o Governo Alcides Rodrigues não teme qualquer apuração de dados sobre o déficit de R$ 100 milhões por mês herdado do governo anterior, de Marconi Perillo. O motivo é simples: não há o que apurar. Como todos sabem, os balancetes que escancaram o déficit - construído pelo tempo da irresponsabilidade – foram enviados, conforme determinação legal, aos órgãos competentes. E, para os que quiserem mais opções para checagem dos números, os documentos também estão à disposição na Sefaz.
E, ao contrário do que se tem divulgado mentirosamente, como cidadão atento aos fatos e à verdade não tenho dúvida de que o governo não articula contrariamente à instalação da CPI porque respeita a independência dos poderes; porque, apesar de ver em andamento construção de um precipitado palanque eleitoral, tem mostrado que confia na integridade e consciência dos parlamentares; porque o que temos visto é que não age de forma truculenta, como se via em passado recente; porque está claro que não persegue os que estão em outras vertentes políticas. Tenho certeza: o Governo Alcides Rodrigues tem a marca do desenvolvimento e da responsabilidade e jamais se macularia sua imagem na tentativa de “abafar” qualquer iniciativa de outro poder. O governo propõe o bom-senso e alerta aos leitores do DM sobre a total inutilidade da tal CPI do Déficit.
Muitos falam em nome do “povo de Goiás”, defendem que a CPI tem o “apoio da população” e adotam a postura de porta-vozes de mais de seis milhões de goianos. Demagogia. Falácia. Esperteza. E, como diz o ditado, a esperteza, quando é demais, cresce e engole o dono. O povo não elegeu “um” representante, mas vários, assentados nos poderes Executivo e Legislativo, onde devem trabalhar e debater, em alto nível e com honestidade, os assuntos que norteiam o Estado. Um ou outro agente político é que, não domando o próprio narcisismo, elege a si mesmo “o” líder do “povo”. Trata-se de egolatria exacerbada, que faz o sujeito se apaixonar irremediavelmente pelo espelho e o empurra para o ridículo.
Acompanhando o debate político, fico com a convicção de que o Governo Alcides Rodrigues insistirá no esclarecimento público e no debate franco sobre os temas que realmente interessam à comunidade, porque é o que ele tem feito. E espero ainda que, agindo assim, não se curve ante às investidas perniciosas dos que foram irresponsáveis com as contas públicas.
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Em tempo: Altino é ator, diretor e ex-presidente da FETEG (Federação Goiana de Teatro) e da CONFENATA (Confederação Nacional de Teatro Amador)